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Capítulo
1
O que é estilo de
aprendizagem?
Lá vai o primeiro!
O clima na sala de parto era de muito entusiasmo e expectativa.
Por ser uma cesariana, estava bem acordada para testemunhar
a chegada de nossos dois filhos naquela tarde de abril.
O médico levantou uma cabecinha
vermelha e
sussurrou:
Ele é uma beleza!
Dois minutos depois, levantou outra
criança.
É exatamente igual ao
primeiro! exclamou a
enfermeira.
Eu os reconheci no mesmo instante.
Na chegada, cada garotinho já parecia exibir muitos
dos mesmos comportamentos que havia demonstrado durante os
últimos meses no útero. Os meninos e eu iniciamos
o processo de conhecimento mútuo quase que desde o
momento da concepção, e naquele instante fiquei
impressionada ao ver como essas duas crianças idênticas
eram diferentes uma da outra. Embora ainda leve anos para
que a natureza complexa de cada uma delas seja familiar, suas
diferenças foram visíveis desde o início.
Amigos e conhecidos, ao observarem
meus dois ruivinhos, muitas vezes perguntam:
Como você os distingue?
Minha resposta normalmente é:
Só os observo por um
minuto... logo percebo a diferença. Se prestar atenção
em sua maneira de falar entre si e com você, se observar
o modo de interagirem com as pessoas e com as situações,
não lhe restará muitas dúvidas de que
essas crianças, que compartilham o mesmo aniversário,
são pessoas bem distintas.
Quando ainda eram pequenos, o brinquedo
favorito dos gêmeos era uma pequena bancada com um martelo
e pinos. Robert, nosso filho que aprecia experimentar as coisas,
gostava muito de martelar forte os pinos. Michael, mais analítico
por natureza, ficava fascinado com o fato de haver, no meio
da bancada, um buraco bem do lado direito para guardar o martelo.
Se
você, pai ou mãe, tem mais de um filho, já
descobriu que mesmo as crianças que crescem em circunstâncias
e em ambientes bastante similares podem ter abordagens consideravelmente
diferentes em relação à vida. Você
começa a perceber que as pessoas são fundamentalmente
diferentes. As inclinações do indivíduo
que o levam a ser único muitas vezes constituem um
impressionante desafio aos pais. Não basta simplesmente
decidir como os filhos devem ser criados e, em seguida, aplicar
as mesmas técnicas a cada um. Os pais precisam conhecer
cada filho e não achar que todos serão iguais!
Muitas vezes, com a melhor das intenções,
começamos a traçar o curso e o plano dos eventos
da vida de nossos filhos de acordo com o que faz sentido para
nós, conforme estamos acostumados a fazer. Afinal,
somos a prova viva de que funciona! Mas o que raramente nos
ocorre é o fato de que outras pessoas, talvez até
de nossa família, vejam o mundo de modo completamente
diferente do nosso. Portanto, é lógico que,
quando tentamos ensinar nossos filhos e outras pessoas ou
quando buscamos nos comunicar com eles, nem todos se beneficiam
com a mesma abordagem.
Se você é ocupado, como
muitos pais, é possível que se frustre ao tentar
ajudar seu filho a seguir instruções, a fazer
o dever de casa ou a revisar a matéria para uma prova.
Talvez se convença de que seu filho simplesmente não
se esforça o suficiente. O fato é que cada um
de nossos filhos percebe o mundo de modo diferente do nosso.
Cada filho é um indivíduo único com preferências
próprias e pontos fortes naturais. Essas tendências
ou talentos individuais são chamados de estilos de
aprendizagem.
Embora aceitemos e até apreciemos
a singularidade de cada filho, muitas vezes é difícil
trabalhar com essa mistura de variações de todos
os nossos filhos quando também estamos tentando conciliar
programas familiares com as muitas exigências de ordem
escolar e profissional.
Sabendo que seria mãe de gêmeos,
li muita coisa. Um dos artigos que li dava uma excelente sugestão
para todos os pais. O autor sugeria que o pai ou a mãe
passassem pelo menos quinze minutos por dia a sós com
cada filho. Recomendava que escolhessem uma brincadeira segura
e divertida e, em seguida, deixassem o filho mostrar de que
forma gostaria de brincar e de interagir com eles. Se não
houvesse necessidade, os pais não deveriam fazer correções,
sugestões nem comentários negativos, mas simplesmente
aproveitar os momentos ao lado do filho, fazer o máximo
possível de comentários positivos e algumas
anotações mentais com relação
ao modo de o filho preferir fazer as coisas. Ao proceder assim
regularmente com seus filhos, você se surpreenderá
ao ver como é fácil identificar o estilo de
aprendizagem diferente de cada um deles!
Conhecer cada um de nossos filhos
como indivíduos é uma proposta exaustiva, porém
gratificante. Quanto mais atarefada e mais complicada for
a vida, mais difícil será lembrar que cada pessoa
de nossa família tem uma contribuição
única e valiosa a ser feita de sua perspectiva pessoal.
Minha intenção é
ajudá-lo a descobrir essas diferentes perspectivas
e desenvolver maneiras rápidas e práticas para
que estimule seu filho a aplicar os pontos fortes inatos que
possui às diversas exigências de aprendizado,
tanto na escola como ao longo da vida.
Os pais raramente têm a intenção
de frustrar os filhos, mas, intencionalmente ou não,
isso acontece. Ao ler Como as crianças aprendem, você
poderá aprender a identificar muitas áreas de
frustração e de conflito talvez diretamente
relacionadas a alguma incompatibilidade entre o estilo de
aprendizagem da criança e o dos pais. Não que
o filho desafie deliberadamente a autoridade dos pais. O desafio
dos pais é encontrar formas positivas de ampliar os
pontos fortes naturais de seus filhos sem sacrificar os resultados
finais desejados. Acredite ou não, isso é possível!
Outra tarefa importante dos pais é
ajudar os filhos a trabalhar de forma eficaz com diversos
professores, que, sem dúvida, terão uma série
de estilos de ensino diferentes. Depois de ler este livro,
terá reunido algumas informações muito
positivas para compartilhar com os professores de seus filhos.
Como já fui professora, posso dizer que, se abordar
diretores e professores com uma perspectiva positiva, irá
surpreender-se com o grau de abertura que mostrarão
no sentido de aprender os estilos individuais de seus filhos.
Quando comecei a ensinar, logo percebi
que muitos de meus alunos não aprendiam como eu costumava
aprender. No entanto, para ser sincera, pensava que isso acontecia
porque eles não sabiam como. É claro que, se
eu apenas lhes ensinasse a aprender do meu modo, esse método,
por fim, faria perfeitamente sentido para eles.
Como era uma professora recém-formada,
estava determinada a manter o entusiasmo de meus alunos pela
escola. Uma vez que compreendi que eram bem parecidos comigo,
concluí que seu maior inimigo era o tédio. Iniciei
uma campanha para evitar o tédio em minha sala de aula.
No primeiro dia de aula, depois que
meus alunos saíram, reorganizei as mesas de modo que
a disposição ficasse diferente e criativa. Como
não marquei formalmente o lugar em que cada um sentaria,
não esperava algumas das reações que
vi no dia seguinte.
Onde vou me sentar?
vários alunos perguntaram.
Sente-se em qualquer lugar!
respondi com entusiasmo. As mesas formam uma
borboleta. Vê a ponta das asas?
Bom, onde a senhora quer que
nos sentemos? perguntaram, indecisos.
Já estava ficando um pouco
frustrada.
Sei lá! insisti.
Escolham uma parte da borboleta e aproveitem o novo
lugar!
Passaram a andar pela sala, olhando
debaixo das mesas.
Onde foi que me sentei ontem?
resmungou um deles.
Naquele dia, muitos de meus alunos
fizeram marcas na mesa que estavam usando para que pudessem
encontrá-la no dia seguinte. Logo percebi que o tédio
de uma pessoa é a segurança de outra. Embora
eu fosse benquista e respeitada por causa de minha preocupação
e criatividade como professora durante aqueles primeiros anos,
muitos alunos pareciam, de fato, lutar contra alguns de meus
métodos. Quando, mais tarde, descobri os estilos de
aprendizagem, comecei a adequar os alunos a diversas formas
dele. Foi um grande alívio saber que aqueles alunos
que tinham estilos tão diferentes do meu não
tinham a intenção de irritar-me!
Este
livro simplesmente apresenta a ponta do iceberg dos estilos
de aprendizagem. Nele, enfatizei os aspectos mais práticos
de cinco importantes modelos de pesquisa sobre o assunto.
Há muito, vimos escritores e pesquisadores encaixando
os indivíduos em categorias bem estreitas. Entretanto,
como cada pessoa é tão complexa e única,
nenhum modelo de estilo de aprendizagem pode descrever completamente
o que uma pessoa é. Por mais elucidativo que seja cada
novo capítulo de informações neste livro,
por favor, lembre-se: não passam de peças do
quebra-cabeça. Podemos reconhecer e identificar padrões
de comportamento e de comunicação que se tornarão
chaves para a compreensão e apreciação
das diferenças de estilo. O que não nos atrevemos
a fazer é insistir para que cada pessoa se enquadre
perfeitamente em uma categoria.
Mesmo que encontre algumas listas
e avaliações possivelmente inestimáveis
ao longo deste livro, também descobrirá que
identificar e compreender os estilos de aprendizagem de cada
indivíduo é uma constante jornada de observações
e de impressões. À medida que ler e que começar
a aplicar estes conceitos, tenha em mente as seguintes diretrizes
gerais:
Observe:
Observe padrões de comportamento. Quando você
ou seu filho tem uma experiência bem-sucedida, quais
são as circunstâncias que geram esse sucesso?
Ouça:
Preste atenção ao modo de uma pessoa se comunicar.
Se você conversar com os outros apenas da maneira que
deseja que conversem com você, talvez chegue à
conclusão de que está falando grego para eles.
Ouvir com atenção pode ensinar-lhe a conversar
com o outro.
Experimente:
Experimente o que funciona e o que não funciona. Mantenha
a mente aberta e lembre-se de que, mesmo que uma abordagem
para o aprendizado não faça sentido para você,
pode funcionar para seus filhos. Nem todos aprendem da mesma
forma.
Concentre-se:
Concentre-se nos pontos fortes naturais, e não nos
pontos fracos. Infelizmente, é muito mais fácil
identificar áreas de fraqueza que precisam ser melhoradas
do que reforçar aspectos fortes. Contudo, não
se deve ter como base as fraquezas; os pontos fortes oferecem
alicerce bem melhor!
Aprenda:
Aprenda mais sobre estilos de aprendizagem em geral. Preste
muita atenção no estilo de aprendizagem de seus
filhos e, principalmente, no seu.
Tudo
o que descobrir neste livro é apenas parte de um todo.
Há muito a aprender. Ao ler este livro, procure outras
peças do quebra-cabeça do estilo de aprendizagem
de seus filhos. Resista à tentação de
pôr rótulos em seus filhos ou em qualquer pessoa.
Não os enquadre em estilo de aprendizagem algum.
Uma vez que começar a descobrir
seus pontos fortes naturais, bem como os de seus filhos, provavelmente
ficará aliviado ao saber que grande parte dos esforços
e dos comportamentos deles tem mais a ver com o estilo inerente
de cada um do que com algo que deixou de fazer como pai ou
mãe.
Após
fazer um treinamento sobre estilos de aprendizagem, uma mãe
arrasada ficou bastante aliviada ao descobrir que seu filho
era normal. Admitiu que havia sido muito difícil
lidar com ele, principalmente quando o assunto era ensinar-lhe
música.
Agora entendo por quê
ela disse. Quando lhe digo que a haste das notas
deve ser reta, ele a faz na diagonal; quando lhe peço
que dê nome às notas, ele as chama de nomes do
tipo: Laura, Cida, Dora.
Essa criança não tinha
a intenção de ser difícil nem possuía
deficiências de aprendizado. Simplesmente aplicava sua
perspectiva única para as tarefas do aprendizado.
Em resumo
Aprender
a reconhecer e a apreciar estilos de aprendizagem pode ajudá-lo
a identificar as tendências e pontos fortes naturais
de cada indivíduo. À medida que ler os próximos
capítulos, descobrirá algumas coisas muito positivas
sobre si mesmo e sobre seus filhos. Este livro é apenas
o primeiro passo em sua odisséia. Normalmente, são
necessários de três a cinco anos de aprendizado,
observação e aplicação de informações
sobre estilos de aprendizagem para que isso passe a ser um
hábito. Seja paciente consigo mesmo e não se
preocupe em ficar tentando identificar formalmente as pessoas
de acordo com um rótulo específico de estilo
de aprendizagem.
O dr. Holland London, clérigo
de longa data e comunicador eficaz, recentemente discursou
em uma reunião da qual participei. Com seu modo inimitável,
falou sobre diversos assuntos, em tempo muito curto, com engenho
e sabedoria. Em determinado momento, fez uma pausa e se inclinou
para aproximar-se do microfone. As pessoas, muitas vezes,
me perguntam por que tomo tantos atalhos em minhas falas.
Digo-lhes que é porque aqueles que estou tentando atingir
não se encontram na estrada principal.
Como mãe e educadora, fiquei
sentada ali pensando no esforço que fazemos para tentar
dirigir nossos filhos até a estrada principal, a fim
de que não tenhamos de tolerar a inconveniência
dos desvios.
Quem sabe, em vez de consumir tempo
e esforços consideráveis na tentativa de convencer
nossos filhos a seguir o caminho que traçamos, poderíamos
incentivá-los a chegar a seu destino permitindo-lhes
alguns pequenos atalhos. Quem sabe? Talvez até cheguemos
a descobrir alguns lugares que apreciaremos percorrer, diferentes
do caminho mais usado!
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