As 5 Linguagens

 

AGRADECIMENTOS

Muitos cordões de influência foram entrelaçados na produção deste livro. Primeiro, fui grandemente influenciado pelos solteiros que leram meu livro para casais sobre as cinco linguagens do amor e me animaram a escrever uma seqüência para os solteiros. Sem isso, eu nunca teria iniciado esta jornada.
    O segundo cordão de influência foi o grande número de solteiros que compartilharam comigo seus encontros com o amor, ou a falta dele, os quais moldaram suas vidas. Essas histórias impediram que este livro fosse um tratado acadêmico. Chorei e dancei com eles, e espero que o leitor experimente tanto o sofrimento quanto o entusiasmo do amor. Todos os nomes foram mudados a fim de proteger a privacidade dos indivíduos, mas as histórias são verdadeiras.
    As palavras e parágrafos foram digitados por Tricia Kube e Martha Jones. Tricia tem sido minha assistente administrativa há vinte anos, e Martha, minha valiosa assistente de meio período. Kay Tatum foi a guru do computador que reuniu todos os fios técnicos e teceu os capítulos individuais num manuscrito. Sem o auxílio dessas três senhoras dedicadas, as palavras deste livro estariam ainda dando voltas em minha cabeça.
    Shannon Warden atuou como assistente de pesquisa. Ela passou horas entrevistando solteiros e me ajudando a entretecer suas histórias no mosaico das cinco linguagens do amor. Ela produziu também o “perfil da linguagem do amor”, encontrado na conclusão do livro. Aprecio profundamente sua contribuição.
    A equipe da editora Moody contribuiu com seu trabalho costumeiro de encorajamento ao projeto. Jim Vincent ajudou-me novamente com suas sugestões editoriais. Greg Thornton e Bill Thrasher acreditaram desde o início no projeto e me encorajaram a levar aos solteiros a mensagem das cinco linguagens do amor. Toda a equipe editorial está empenhada em ajudar os solteiros a terem relacionamentos de amor. Seu interesse pessoal no livro motivou-me a continuar “tecendo” os cordões.
    Como sempre acontece, minha esposa Karolyn apoiou este projeto. Ela trabalhou comigo no correr dos anos, enquanto procurávamos fazer amizade com os solteiros.     Nossa esperança é que este livro os anime a procurarem o “amor” acima de tudo, sabendo que buscar o amor é buscar a Deus.


INTRODUÇÃO

Há mais de uma década escrevi As cinco linguagens do amor: Como expressar compromisso de amor a seu cônjuge. A reação foi bem além das minhas expectativas.     O livro vendeu mais cópias a cada ano que no anterior. As cinco linguagens do amor foi traduzido em 32 idiomas ao redor do mundo.
    As pessoas me pedem que explique este sucesso sem precedentes. A única resposta que tenho é que sua mensagem enfoca nossa maior necessidade emocional: a necessidade de ser amado. Ela oferece aos casais o discernimento e as ferramentas práticas para manter o amor emocional vivo no casamento. Milhares de casais indicaram que as cinco linguagens do amor introduziram “vida nova” em sua união.
    Em vista de o livro ter sido escrito especificamente para os casais, não tive idéia de que muitos adultos solteiros iriam lê-lo. Encontro com freqüência adultos solteiros como Jill, que disse: “Sei que você escreveu As cinco linguagens do amor para casais, mas quero que saiba que o livro me ajudou muito em todos os meus relacionamentos”.     Encontro solteiros como Robert, um estudante do quarto ano da faculdade, que me contou: “Nunca compreendi meu colega de quarto até que li seu livro.     Você deve escrever uma versão do livro As cinco linguagens do amor para os adultos solteiros”. A minha motivação para escrever este livro tem, portanto, origem em uma porção de adultos solteiros que expressaram sentimentos similares.
    Embora meus escritos e aconselhamentos tenham se concentrado no casamento e na família, tenho igualmente conhecimento da cultura dos adultos solteiros. Há alguns anos, dei início a um ministério para o adulto solteiro na igreja que freqüento e onde servi como conselheiro durante trinta anos. Num período de nove anos participei de suas alegrias e de seus conflitos. Oferecíamos um programa social ativo, juntamente com “grupos de crescimento” para os que estavam bem e “grupos de apoio” para os que enfrentavam conflitos. Investi centenas de horas no aconselhamento individual de adultos solteiros que passavam por vários problemas emocionais e relacionais.
    Casado ou solteiro, jovem ou velho, todo ser humano tem a necessidade emocional de sentir-se amado. Quando esta necessidade é satisfeita, nos estendemos para alcançar nosso potencial para Deus e para o bem neste mundo. Todavia, quando nos falta o amor, nos esforçamos apenas para sobreviver. Tenho a profunda convicção de que as verdades neste livro irão capacitar os adultos a aprenderem as habilidades que levam a amar e a ser amado.
    Este volume não é reformulação do livro original. As cinco linguagens do amor não mudaram, é claro, mas nas páginas que se seguem vamos nos concentrar na sua aplicação aos adultos solteiros. Estou em dívida com as centenas de jovens adultos que dividiram comigo suas histórias de como as cinco linguagens aprimoraram seus relacionamentos.
    Nada tem mais potencial para melhorar nossa sensação de bem-estar que efetivamente amar e ser amado. Quer divorciado, viúvo ou solteiro, sua maior necessidade emocional é sentir-se amado, e seus maiores sucessos serão obtidos ao amar outros. Este livro pretende ajudá-lo a fazer ambas as coisas eficazmente.
    Nos dois primeiros capítulos vamos examinar quem são os adultos solteiros e por que o amor é o segredo ou a chave dos relacionamentos. No capítulo 8, você vai descobrir sua própria linguagem de amor e como conhecer as linguagens de amor de outros.
    Os capítulos restantes ajudarão você a aprender como amar e ser amado, falando essas linguagens de amor. Nos capítulos 9 e 10, vai descobrir como aplicar os princípios das cinco linguagens do amor para compreender seus pais, seus irmãos e seus relacionamentos amorosos. O capítulo 11 vai examinar a possibilidade do casamento e a importância da linguagem de amor na construção de um casamento bem-sucedido. O capítulo 12 enfocará a comunicação do amor a companheiros de quarto, colegas de classe e colaboradores, enquanto o capítulo 13 contém diretrizes para os pais solteiros comunicarem amor a seus filhos. Por último, vamos enfocar a idéia de encaminhar-se para o sucesso com amor (capítulo 14).
    Convido você a juntar-se a mim numa viagem que o introduzirá na vida pessoal de muitos adultos solteiros que descobriram que a maior descoberta da vida é aprender como dar e receber amor.



ADULTOS SOLTEIROS:
IMPORTANTES E EM CRESCIMENTO

Se estiver lendo este livro, as chances são de que seja solteiro ou conheça alguém que é. Mais de quatro em cada dez americanos adultos são solteiros — 88,5 milhões de americanos.1 De fato, há mais adultos solteiros nos Estados Unidos que em qualquer outro país do mundo, exceto a China e a Índia.2
    Os adultos não formam, naturalmente, um grupo homogêneo. Existem pelo menos cinco categorias de adultos solteiros, cada uma muito diferente das outras. A maior categoria de solteiros é formada por aqueles que nunca caminharam pela nave da igreja, mas as outras quatro também exigem nossa atenção. Estes são os cinco grupos:

    1. Nunca se casaram. Dezoito anos ou mais, este grupo totaliza 49 milhões. A idade mediana de um primeiro casamento subiu para 25 entre as mulheres e 27 entre os homens. Isto significa que, na população geral entre pessoas de 18 a 24 anos, quase nove em cada dez (87 por cento) nunca se casaram.3
    2. Divorciados. Atualmente, em qualquer faixa etária, dez por cento de todos os adultos são divorciados.4 Com o passar do tempo, porém, muitos outros adultos casados enfrentam um divórcio. Dentro de cinco anos, 20 por cento de todos os casamentos acabam em divórcio. Dentro de dez anos, um terço de todos os casais estarão divorciados e dentro de quinze, 43 por cento.5
    3. Separados mas não divorciados. São os indivíduos que continuam legalmente casados, mas não vivem mais sob o mesmo teto. Seu estilo de vida é mais de solteiros que de casados. O estado de separação é, todavia, temporário. Esses indivíduos vão reconciliar-se com seus cônjuges ou formalizar sua separação mediante o divórcio legal. A pesquisa indica que 97 por cento das mulheres brancas (e 75 por cento das demais) que se separam de seus maridos acabam divorciadas num espaço de cinco anos da separação.6
    4. Viúvos. A viuvez é definitivamente uma tendência feminina. Quatro em cada cinco adultos sozinhos por causa da morte de um cônjuge são mulheres. Quase metade das mulheres com 65 anos ou mais são viúvas, comparado a apenas 14 por cento dos homens.7
    5. Pais solteiros. Há cem anos, menos que um em cada cem adultos era pai solteiro de uma criança com menos de 18 anos. Existem hoje mais de doze milhões de pais solteiros com filhos menores de 18 anos aos seus cuidados — quase um em cada três famílias.8 Como é claro, muitos dos pais solteiros são também divorciados. Entretanto, um número crescente de pais solteiros nunca foi casado.     Entre as mães solteiras, 40 por cento nunca se casaram com o pai de seus filhos.9 Assim, um número crescente de solteiros que nunca se casaram são também pais solteiros.


DIFERENTES MAS UNIDOS

Fica evidente por esta visão geral que os adultos solteiros diferem muito entre si. Eles são, porém, unidos por aqueles fatores que nos prendem a todos como seres humanos. Se você é um adulto sozinho, está com certeza buscando compreender a si mesmo e seu lugar no mundo. Todo indivíduo sozinho luta com valores, moral, relacionamentos e significado. No âmago dessa busca de um adulto solteiro está a necessidade de dar e receber amor emocional.
    Qualquer que seja a categoria, na condição de adulto solteiro você quer sentir-se amado pelas pessoas importantes em sua vida. Quer também acreditar que alguém precisa de seu amor. Quando você se sente amado e necessário, consegue vencer as pressões da vida. Sem amor, a vida pode tornar-se excessivamente sombria.


O HOMEM COM A AURÉOLA DE METAL

Rob ilustra o poder do amor quando o indivíduo está quase sufocado pelos problemas da vida. Conheci Rob em uma de minhas viagens ao Grand Canyon (que, na minha opinião, é um dos mais belos retratos da natureza). Na extremidade sul do canyon, nas proximidades da trilha Bright Angel, vi Rob e dois outros adultos mais velhos. Não foi difícil vê-lo porque estava usando um suporte para as costas com um auréola de metal em redor da cabeça. Acenei amigavelmente e sorri, meu meio de cumprimentar.
    Rob respondeu: “Olá, espero que esteja tendo uma boa manhã”. Seu sorriso era convidativo, e começamos então a conversar. Descobri que sofrera problemas na coluna devido a um acidente de caminhada. Os adultos mais velhos eram seus pais.
    Os três haviam planejado uma viagem ao Grand Canyon dois anos antes. No primeiro ano as finanças foram um problema e eles adiaram então o sonho. A seguir Rob sofrera o acidente e não puderam sair de casa. Agora que Rob estava um pouco melhor, tinham ido ver o desfiladeiro.     Quando planejaram originalmente a viagem, a intenção deles era caminhar até a base do canyon. O sonho tivera de ser modificado, mas não fora destruído. Planejavam agora passar a semana admirando as paisagens do lugar.
Rob colocara a cadeira de modo a poder avistar toda a trilha e o canyon. Ele e seus pais estavam contemplando o magnífico cenário. Cumprimentei-os por não terem desistido de seu sonho e desejei que tudo corresse bem para eles.
    Meu filho e eu continuamos nossa semana juntos, explorando o desfiladeiro. Quase no final da semana encontrei Rob no vestíbulo da Pousada Bright Angel. Por causa do nosso encontro anterior, parecia-me estar vendo um velho amigo. Acabamos conversando durante duas horas. Rob contou a história da queda que resultou em seus ferimentos e os desmedidos esforços da equipe de resgate, que teve de usar um helicóptero para salvá-lo.     Falou também sobre o sofrimento e o conflito emocional daqueles primeiros dias quando não tinha certeza de que poderia andar novamente. Teve várias crises de depressão, perdera uma oportunidade de emprego que estava procurando na época e passou muitas semanas fazendo fisioterapia.
    Quando perguntei o que o capacitara a suportar essa experiência e mesmo assim continuar tendo um espírito animado, sua resposta foi simples. “Amor” disse ele. “Só assim pude sobreviver. Meus pais ficaram comigo durante todo o tempo e eu tinha uma amiga... não um relacionamento romântico, mas uma amiga íntima que ia ver-me todos os dias naquelas primeiras semanas. Acho que não teria conseguido sem ela, pois me dava esperança. Encorajou-me durante a terapia e orava comigo. Nunca uma garota orara comigo antes. Havia algo na forma como ela falava com Deus que me deu esperança. Suas palavras eram como a chuva em minhas emoções ressequidas. Continuamos bons amigos. O amor dela e de meus pais manteve a minha sanidade.”
    Em seguida acrescentou: “Espero algum dia ajudar alguém como eles me ajudaram”.



O PODER DO AMOR

Rob é um exemplo vivo: tanto do poder do amor como da necessidade profunda de amar e ser amado por parte do adulto solteiro. O amor é a pedra fundamental de todos os relacionamentos humanos. Ele causa grande impacto em nossos valores e nosso caráter. Estou também convencido de que o amor é o ingrediente mais importante na busca de significado da pessoa sozinha.
    Esta é a razão de me sentir compelido a escrever este livro sobre as cinco linguagens do amor. O que você vai ler nas páginas seguintes tem o potencial de acentuar cada área da sua vida. A leitura deste livro vai exigir tempo, mas garanto que será um bom investimento. Você provavelmente investiu algumas horas para aprender a linguagem do computador. Se foi assim, colheu os benefícios. É lamentável, mas a maioria dos adultos solteiros sabe mais a respeito de computadores que do amor. A razão deve ser óbvia. Passaram mais tempo estudando os computadores que estudando o amor.


O INGREDIENTE QUE FALTA

Concordo com o professor Leo Buscaglia, que afirmou:
    Psicólogos, psiquiatras, sociólogos, antropólogos e educadores sugeriram em vários estudos e documentos de pesquisa que o amor é “uma reação aprendida, uma emoção aprendida”. (...) A maioria de nós continua a comportar-se como se o amor não fosse aprendido, mas permanece dormente em cada ser humano e simplesmente espera uma ocasião mística em que passa a ser percebido e emerge em plena floração. Muitos aguardam por essa época para sempre. Parece que nos recusamos a enfrentar o fato óbvio de que quase todos passamos a vida tentando encontrar o amor, tentando viver nele e morrendo sem jamais realmente descobri-lo.
    Passei os últimos trinta anos de minha vida ajudando pessoas a descobrirem como se ligar emocionalmente com outras, como dar e receber amor. Posso dizer com confiança a todos os solteiros — aqueles que nunca se casaram, que já foram casados ou que se casaram várias vezes — que se você ler e aplicar o que é dito nos capítulos seguintes, descobrirá como dar e receber amor efetivamente. Descobrirá o ingrediente que faltou em alguns de seus relacionamentos anteriores ao aprender a falar a linguagem sublime do amor com as pessoas.
    Grande parte do sofrimento na sociedade contemporânea, no que diz respeito a relacionamentos rompidos, tem origem na verdade de que muitos em nossa cultura ocidental nunca foram dedicados estudantes do amor. Nas páginas seguintes você vai encontrar um grande número de adultos sozinhos de todas as categorias e idades que descobriram que o amor tem realmente potencial para mudar o mundo.


REFLEXÕES

1. Até que ponto você se sente amado pelas pessoas importantes em sua vida?
2. Numa ocasião de necessidade, você experimentou o amor de um amigo, como o que Rob descreveu: “Acho que não teria conseguido sem ela?”. Se experimentou, como seu (sua) amigo(a) mostrou seu amor?
3. Você já mostrou amizade por alguém que precisava de apoio? De que forma expressou seu amor?
4. Até que ponto você teve sucesso em dar e receber amor emocional?
5. Você está interessado em estudar a natureza do amor e aprender novos meios de expressá-lo?