Ética é o melhor negócio

John C. Maxwell

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O que aconteceu com a

ética nos negócios, afinal?


Em 8 de novembro de 2001, todo o mundo ficou chocado quando uma das maiores empresas da década de 1990, a Enron, admitiu o uso de práticas contábeis ilícitas para aumentar artificialmente seus registros de receita em cerca de 586 milhões de dólares durante um período de quatro anos. Menos de um mês depois, a organização entrou com pedido de falência, e nos primeiros meses de 2000, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou uma investigação criminal sobre as atividades da companhia. Os investigadores queriam determinar quantos executivos sabiam da situação da Enron quando instruíram seus funcionários a manter suas ações da empresa, mas venderam mais de um bilhão de dólares das que possuíam. A companhia faliu, o fundo de pensão dos funcionários foi dilapidado e milhões de investidores, que perderam uma quantia equivalente a sessenta bilhões de dólares, ficaram desnorteados. Foi quando surgiram as questões: Como uma coisa daquelas pôde acontecer? Por que aconteceu? Quem foi o responsável?

Alguns meses mais tarde, em 27 de março de 2002, o círculo de pessoas que davam palestras sobre ética começou a crescer quando a sexta maior companhia americana de tv a cabo, a Adelphia Communications, anunciou que também estava passando por problemas financeiros. O fundador, John Rigas, junto com os filhos Timothy, Michael e James, foram acusados de usar os recursos da empresa como garantia para empréstimos da ordem de 3,1 bilhões de dólares, utilizados para aquisições pessoais e projetos financeiros familiares. Depois de afastar a


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família Rigas, a companhia redimensionou sua receita e, pouco depois, deu início ao pedido de falência. O valor das ações da Adelphia despencou, e em 3 de junho de 2002, foram retiradas do pregão da Nasdaq.1 Mais pessoas ficaram preocupadas com a questão da ética nos negócios. E mais pessoas se perguntavam: Que tipo de pessoa é capaz de fazer uma coisa dessas? Como as coisas chegaram a esse ponto? Será que pode acontecer de novo?

Naquele mesmo dia, Dennis Kozlowski, diretor executivo da Tyco, foi acusado pelo promotor de Justiça de Manhattan, em Nova York, pela sonegação de um milhão de dólares em impostos sobre vendas de obras de arte e outros itens que ele havia adquirido para si com recursos da empresa. Investigações posteriores sobre as atividades de Kozlowski indicaram ganhos ilícitos da ordem de 600 milhões de dólares acumulados por ele e outros dois executivos da Tyco. A questão das práticas antiéticas na iniciativa privada se tornou uma preocupação generalizada.

A revista Time cunhou a expressão "verão da suspeição" para classificar aquele período. Uma de suas reportagens indicava: "A maioria dos americanos — 72%, segundo pesquisa realizada em conjunto pela Time e a cnn —, teme que não esteja apenas diante de alguns casos isolados, mas de um padrão de comportamento fraudulento adotado por um grande número de empresas". E isso tudo aconteceu antes de a WorldCom divulgar que uma auditoria interna detectara a prática de alguns procecimentos contábeis irregulares. Dos lucros da empresa no período de 2000 a 2002, cerca de 7,1 bilhões de dólares haviam sido acrescentados artificialmente. E a WorldCom declarou que 3,8 bilhões de dólares em despesas foram registrados de maneira indevida durante cinco trimestres. As conseqüências foram trágicas: dezessete mil trabalhadores perderam o emprego, a WorldCom recalculou seus resultados financeiros (o que eliminou totalmente os lucros daquele período) e as ações na bolsa perderam aproximadamente 75% de seu valor. E as dúvidas que invadiram a mente das pessoas só fizeram aumentar: Por que isso tudo está acontecendo? Quantas empresas agem de maneira antiética? O que aconteceu com a ética nos negócios?

1A Nasdaq é uma bolsa de valores eletrônica.


O que aconteceu com a ética nos negócios, afinal?

Rejeição!

A maioria das pessoas está decepcionada com a situação da ética nos Estados Unidos. Não agüentam mais assistir a tantos casos de desonestidade e má-fé. Brett Trueman, professor de Contabilidade de Berkeley, que também é docente da Escola Haas de Negócios, declarou: "É por isso que o mercado continua cada vez mais em baixa: os investidores não sabem em quem confiar. Conforme os escândalos se sucedem, o problema se torna maior".

É claro que os problemas não se limitam apenas ao mundo dos negócios. As pessoas ficaram escandalizadas com os abusos cometidos dentro da Igreja Católica e as tentativas de abafar os casos. Muitos se surpreenderam com as denúncias de que Stephen Ambrose, professor de História e vencedor do Prêmio Pulitzer, plagiou trechos do historiador Thomas Childers no livro Azul sem fim.2 E quem assistiu aos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City sentiu-se ultrajado quando uma juíza da competição de patinação artística afirmou que havia sido coagida em sua decisão, alterando o resultado da prova de duplas.

Quando George Barna, especialista em pesquisas de opinião, perguntou às pessoas se elas tinham "certeza absoluta" de que os líderes de várias profissões "tomam decisões baseadas em critérios puramente profissionais e moralmente adequadas", os resultados foram estarrecedores:

Tipo de líder

Percentual daqueles em quem as pessoas confiam plenamente

Executivos de grandes corporações 3

Membros do governo em cargos eletivos 3

Produtores de cinema e tv, diretores e escritores 3

Jornalistas 5

Proprietários de pequenos negócios 8

Pastores, padres e outros clérigos 11

Professores 14

2Bertrand Brasil.


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É sintomático o fato de que seis em cada sete pessoas não se mostram dispostas a depositar confiança total nos líderes, mesmo no que se refere aos mais fidedignos (os professores).

O dilema ético

Neste momento, nossa decepção se transforma em tema de discussão. As pessoas querem saber: por que a ética é uma prática tão complicada de se adotar? Embora haja muitas respostas possíveis a esta pergunta, creio que, quando alguém faz uma escolha antiética, age desta forma por uma entre três razões:

1) Agimos de acordo com nossa conveniência

Um dilema ético pode ser definido como uma escolha indesejável ou desagradável relacionada com um princípio ou uma prática moral. O que fazemos diante dessas situações? Optamos pela coisa certa ou pela mais fácil? Por exemplo, o que devo fazer quando o caixa de alguma loja me dá um troco maior do que o devido? Que devo dizer quando uma mentira conveniente pode ajudar a disfarçar um erro que cometi? Até onde posso ir nas promessas que faço para conquistar um cliente?

Como seres humanos que somos, nossa tendência é a de não passar por esses testes a nossa ética pessoal. Por que fazemos determinadas coisas, mesmo quando temos certeza de que estão erradas? Trapaceamos porque acreditamos que nunca descobrirão? Permitimo-nos pegar atalhos porque minimizamos a gravidade com justificativas do tipo "é só desta vez"? É assim que agimos quando estamos sob pressão?

2) Nunca jogamos para perder

Acredito que a maioria das pessoas seja como eu: detesto perder! Homens e mulheres de negócios em especial querem vencer conquistando coisas e alcançando o sucesso. Mas muitos acham que precisam

Um dilema ético pode ser definido como uma escolha indesejável ou desagradável relacionada com um princípio ou uma prática moral.


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optar entre ser ético e ser vencedor. O jornal Atlanta Business Chronicle noticiou que um grupo de executivos se reuniu recentemente numa empresa de Atlanta, líder de mercado, onde discutiram idéias para uma conferência nacional de três dias dirigida a milhares de funcionários na área de vendas. Conforme aquelas pessoas discutiam temas para palestras, a vice-presidente daquela empresa sugeriu, com entusiasmo: "Por que não dedicamos um espaço para falar da questão da ética?"

Era como se alguém tivesse morrido. A sala inteira ficou em completo silêncio. Depois de alguns momentos de constrangimento, a discussão prosseguiu como se a vice-presidente não tivesse dito uma palavra sequer. Ela ficou tão chocada com a reação geral que simplesmente parou de insistir na idéia.

Mais tarde, naquele mesmo dia, aconteceu de se encontrar com o diretor executivo da empresa. Ela comentou sua opinião de que o tema "ética" deveria fazer parte da programação da conferência, e esperava que ele concordasse de forma incondicional. Porém, ao invés disso, o diretor executivo respondeu: "Tenho certeza de que todos concordam sobre a importância desse assunto. Mas há tempo e lugar certos para tudo. A expectativa a respeito de um encontro sobre vendas é a de que seja para cima, e as pessoas saiam dele bastante motivadas. Por isso, `ética' é um assunto negativo".

Aquele diretor executivo não está sozinho em sua opinião a respeito da ética. Muita gente acredita que adotar uma postura ética pode limitar suas alternativas, suas oportunidades e a própria capacidade de ser bem-sucedida no mundo dos negócios. É a velha crença de que as pessoas muito "boazinhas" sempre se dão mal. Gente assim concorda com a declaração de Henry Adams, professor de História de Harvard, segundo a qual "a moralidade é um luxo particular e caro". Ironicamente, dentro da cultura atual de consumo exacerbado e da filosofia da "farinha pouca, meu pirão primeiro", a ética pode se tornar o único luxo do qual algumas pessoas estão abrindo mão!

Se acredito ter apenas duas escolhas possíveis — a primeira, de vencer a qualquer custo, mesmo que precise lançar mão de expedientes antiéticos; a outra, de agir de acordo com a ética e levar a pior —, estou diante de um


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genuíno dilema moral. Poucas pessoas se sentem confortáveis com a idéia de serem desonestas, mas ninguém gosta de sair perdendo.

3) Relativizamos nossas escolhas

Diante de situações em que não é possível identificar um ganho imediato, muita gente escolhe fazer aquilo que parece certo naquele momento, de acordo com as circunstâncias. É uma idéia que ganhou legitimidade no início dos anos 1960, quando o dr. Joseph Fletcher, deão da Catedral de São Paulo, em Cincinatti, Ohio (Estados Unidos), publicou um livro chamado Situation ethics [Ética circunstancial]. Nele, o autor afirmava que o amor era o único critério viável para discernir entre o certo e o errado. A Fundação para Liderança Executiva declara:

Segundo Fletcher, o certo é determinado pela situação, e o amor pode justificar tudo — mentiras, trapaças, roubos... até assassinatos. Esta filosofia espalhou-se rapidamente por todas as esferas teológicas e educacionais (...) Desde a década de 1960, a ética circunstancial tornou-se a norma de comportamento social. Após disseminar-se com rapidez nos universos da educação, da religião e do Governo, conseguiu penetrar em uma nova área: o mundo dos negócios. O resultado é a situação ética em que vivemos hoje em dia.

Isso gera o caos completo. Cada um segue seu próprio padrão ético, que muda de acordo com a conveniência da situação. E esta postura é incentivada. Na descrição de um curso intitulado "A ética da administração corporativa", oferecido na Universidade de Michigan, está escrito: "Este curso não leva em conta os conceitos de honestidade e confiabilidade, que são questões pessoais de ordem moral. Presume-se que os estudantes desta universidade já tenham formado seus próprios padrões, no que se refere a essas questões".

Portanto, vale tudo. Qualquer padrão que se queira usar, está tudo bem. Para piorar as coisas, há uma inclinação natural nas pessoas de

Muita gente acredita que adotar uma postura ética pode limitar suas alternativas, suas oportunidades e a própria capacidade de ser bem-sucedida no mundo dos negócios.


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serem tolerantes para com suas próprias atitudes, julgando-se a partir das boas intenções que possuem — ao mesmo tempo, impõem aos outros um padrão muito mais rigoroso e os julga por suas piores ações. Enquanto, no passado, nossas decisões eram baseadas na ética, hoje é nossa ética que se baseia nas decisões que tomamos. "Se é bom para mim, então é bom." Quando será que esta tendência se reverterá?

Ventos de mudança

Felizmente, há uma demanda cada vez maior por uma postura ética no mundo dos negócios. A empresa de recrutamento de executivos Heidrick & Struggles defende que, "numa nova era da atividade empresarial, os diretores de corporações se deparam com uma nova missão. Não há mais espaço para os deslumbrados e os que gostam de ostentação. A transparência — em termos de ética, valores e objetivos — é o que se busca hoje em dia". Meu amigo Bruce Dingman, presidente da empresa de consultoria administrativa R.W. Dingman, concorda. Há pouco tempo, ele enviou-me um email:

Imaginei que você gostaria de conhecer nossa visão a respeito do mercado. As mudanças nas estratégias e nos valores corporativos geralmente se refletem nas coisas que nossos clientes falam quando revelam os elementos que buscam hoje em dia nos candidatos a postos de trabalho (...) Sim, eles ainda querem encontrar executivos que façam diferença nos resultados da empresa, sejam competentes para tomar decisões difíceis e se encaixem no perfil profissional que se espera dos membros da equipe. Atualmente, porém, há uma preocupação ainda maior com a questão da integridade, com o risco de se chegar perto demais dos limites éticos e com a necessidade de assumir uma visão de longo prazo em estratégias e estabelecimento de metas mais realísticas e conservadoras.

Jeremy Farmer, um especialista experiente em recrutamento no Bank One, em Chicago, afirma que ele e seus colegas de profissão estão dando cada vez mais importância à questão da ética na hora de procurar por funcionários potenciais: "Passamos a fazer perguntas concernentes


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à ética, e o foco de nossas entrevistas é sobre o comportamento do candidato".

É bom saber que há um desejo de mudanças no que se refere à ética em nossa cultura. A notícia ruim é que muitas pessoas não sabem como fazer esta transição. A situação delas é equivalente à de um grupo de passageiros de uma piada que ouvi há muitos anos. Eles estavam num avião durante uma viagem que cruzava o país. Depois de mais ou menos duas horas de vôo, ouviram uma voz nos auto-falantes: "Aqui quem fala é seu piloto. Neste momento, estamos voando a uma altura de dez mil metros, e nossa velocidade é de 900 quilômetros por hora. Temos uma notícia ruim e outra, boa. A ruim é que estamos perdidos. A boa é que não estamos atrasados".

Algumas soluções atuais para o mercado

Se você prestar atenção ao que está acontecendo no mercado, verá que, embora queiramos manter uma conduta honesta e coerente, ainda não estamos em condições de vencer a batalha da ética. Dê uma olhada em como as pessoas de nossa cultura tentam resolver este problema. Elas:

Ensinam uma ética paliativa

Quando as universidades admitem estudantes que mal conseguem resolver questões simples de matemática, elas os enviam a uma aula de reforço, paliativa. Segundo Joan Ryan, colunista do jornal San Francisco Chronicle, os negócios estão seguindo a mesma lógica. Os empresários estão forçando seus funcionários a assimilar uma ética paliativa. As empresas contratam firmas para ministrar aulas de ética pela internet, e vários consultores produzem imensos manuais de ética que Ryan afirma parecer "catálogos de tributos, cheios de artifícios e letrinhas miúdas". Não ajuda muito. O pior de tudo é que a intenção dessas empresas não costuma ser a de introduzir mais ética nos negócios. Ryan explica: "É como se estivessem apenas escapando de uma punição mais severa. De acordo com as diretrizes do Governo americano, as empresas que implementam programas de incentivo à ética podem se beneficiar com penas menores no caso de uma condenação por conduta irregular".


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Colocam em prática apenas soluções pontuais

Outra abordagem é aquela que prevê um corretivo na pessoa que é flagrada agindo de maneira antiética. De acordo com o consultor administrativo Frank J. Navran, é a mesma coisa que dar um banho no cachorro para matar a pulga afogada. O problema com esta abordagem é que sua eficácia é mínima quando o ambiente — no caso, o cachorro — não muda. As pulgas acabam voltando logo depois. Se o ambiente — o sistema e as metas — de uma organização incentiva e recompensa o comportamento antiético, a aplicação de simples corretivos sobre as ações individuais dos funcionários não farão com que a situação fique muito melhor.

Confiam na lei

Algumas empresas desistiram totalmente de tentar elaborar o significado de um comportamento ético. Ao invés disso, estão usando os parâmetros da lei como referência na hora de tomar decisões. O resultado é a falência moral. Quando Kevin Rollins, presidente da Dell Computer Corporation, foi questionado sobre o papel da ética nos negócios, parafraseaou o dissidente russo Alexander Soljenitzin, que declarou: "Vivi minha vida numa sociedade sem lei. Foi uma existência terrível. Mas uma sociedade na qual a lei é a única referência para a conduta ética é igualmente ruim". Rollins afirma: "Soljenitzin disse que, se os Estados Unidos já aspiraram a um padrão de excelência moral em seu sistema de leis, perdeu-se em algum ponto do caminho. O ser humano pode fazer melhor. Eu achava aquele comentário muito comum nas empresas, segundo o qual `se está de acordo com a lei, está tudo bem', correto em termos de ética. Hoje acreditamos que é preciso aspirar a algo mais elevado do que aquilo que é legalmente correto. O que você está fazendo é a coisa certa?"

Desta vez, a coisa é pessoal

Um de nossos problemas é que a ética nunca é tratada como uma questão de negócios, social ou política. É sempre uma questão pessoal. As pessoas dizem que almejam a integridade. Ironicamente, ao mesmo


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tempo, estudos indicam que a maioria delas nem sempre age de acordo com o tipo de integridade que exige das outras. Entre estudantes universitários, 84% acreditam que os Estados Unidos está passando por uma crise no mundo dos negócios, e 77% acham que os mais altos executivos das empresas devem ser responsabilizados por este problema. Contudo, 59% dos mesmos estudantes admitem já ter colado em provas. No ambiente de trabalho, 43% das pessoas admitem ter se envolvido em pelo menos uma situação antiética no período de um ano imediatamente anterior, e 75% já assitiram a algo assim sem fazer nada a respeito. A mesma pessoa que sonega impostos ou rouba material de escritório quer ver honestidade e integridade na empresa cujas ações compra, no político no qual vota e no cliente com o qual negocia.

É fácil discutir sobre a ética. Mais fácil ainda é se decepcionar com as pessoas que não passam pelos testes a que sua ética é submetida — principalmente quando somos prejudicados pela conduta imprópria dos outros. Difícil mesmo é fazer escolhas éticas em nossa própria vida. Quando nos vemos diante da necessidade de tormar uma decisão desagradável, qual é a nossa reação? Na década de 1980, o ex-presidente Ronald Reagan fez uma brincadeira afirmando que, quando se trata da economia, a recessão acontece quando seu vizinho perde o emprego, e a depressão é quando você perde o seu! É bem parecido com o que acontece com a ética. É sempre mais difícil quando a pessoa que precisa fazer a escolha sou eu.

A palavra final em termos de ética

Quero ser uma pessoa ética, e acredito que você também queira. Além disso, sei que é realmente possível fazer a coisa certa e ser bem-sucedido nos negócios. Na verdade, segundo o Centro de Recursos Éticos em Washington, D.C., as empresas que se dedicam a fazer a coisa certa,

A mesma pessoa que sonega impostos ou rouba material de escritório quer ver honestidade e integridade na empresa cujas ações compra, no político no qual vota e no cliente com o qual negocia.


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assumem um compromisso de responsabilidade social por escrito e agem de forma coerente com este compromisso são mais lucrativas do que aquelas que não fazem esta opção. James Burke, um dos membros da diretoria da Johnson & Johnson, afirma: "Se você investiu trinta mil dólares numa carteira de ações avaliada pelo índice Dow Jones há trinta anos, hoje elas valem 134 mil dólares. Se tiver colocado os mesmos trinta mil dólares nessas empresas (social e eticamente responsáveis) — dois mil dólares em cada uma das quinze (que o estudo abrangeu) —, agora eles estarão valendo um milhão de dólares".

Se você assume um comportamento ético, isto automaticamente faz de você uma pessoa rica e bem-sucedida? É claro que não. Pode, contudo, pavimentar a estrada que levará você ao sucesso? Sem dúvida alguma. Ética + Competência é uma equação vitoriosa. Em contraste, as pessoas que costumam se permitir chegar aos limites da ética inevitavelmente os ultrapassam. No fim, os atalhos nunca compensam. É até possível enganar algumas pessoas durante algum tempo, mas, com o tempo, a pessoa que age assim terá de prestar contas de seus atos, pois a verdade sempre vem à tona. A curto prazo, o comportamento ético pode parecer uma perda (assim como alguém pode parecer temporariamente estar em vantagem por tomar atalhos antiéticos). No entanto, a longo prazo, as pessoas sempre perdem quando vivem sem ética. Você já se deparou com alguém assim, que vive de atalhos, engodos e trapaças, e tenha terminado bem?

O rei Salomão, da antiga Israel, considerado o homem mais sábio que já viveu neste mundo, falou assim:

A estrada em que caminham as pessoas direitas é como a luz da aurora, que brilha cada vez mais até ser dia claro.

Mas a estrada dos maus é escura como a noite; eles caem e não podem ver no que foi que tropeçaram.

As empresas que se dedicam a fazer a coisa certa, assumem um compromisso de responsabilidade social por escrito e agem de forma coerente com este compromisso são mais lucrativas do que aquelas que não fazem esta opção.


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O parlamentar americano Jabez L.M. Curry, defensor dos direitos à educação, fez o seguinte comentário: "Para que possa prosperar, um país precisa ser construído sobre fundamentos de caráter moral, e este caráter é o elemento principal de sua força — a única garantia de sua permanência e sua prosperidade". O mesmo pode ser dito a respeito dos negócios, família ou de qualquer empreendimento que você queira ver prosperar e durar. Este fundamento, porém, não pode ser construído pela organização como um todo. Deve começar a partir de cada indivíduo. E precisa ser levado adiante, apesar das pressões contínuas para que se aja sem nenhuma preocupação com a ética.

Como saber qual é a coisa certa a fazer? Como lidar com as situações mais difíceis em termos de pressão? Onde se pode encontrar um padrão que funcionará em qualquer situação — um norte que lhe permita dormir bem à noite, prosperar nos negócios, melhorar seu casamento e ter confiança de que está dando o melhor de si o tempo todo? Ofereço a você o que acredito ser a melhor resposta a essas perguntas no capítulo seguinte.