23.11.05

Eugene Peterson

Selecionei para você um trecho de um novo livro do Peterson que deverá ser lançado no primeiro trimestre de 2006, ainda sem título definitivo. A temática do livro é a redescoberta da vocação pastoral. Veja quem ele descobriu como seu mentor vocacional:

Fiz várias tentativas para tentar achar um mentor vocacional dentre os vivos, sem sucesso. Então encontrei Dostoievski. Eu não me lembro como o encontrei, pois eu não o conhecia antes. Um palpite inspirado talvez. Um capricho que deu sorte. A palavra mais adequada, ainda que antiga, é “providência”.
Eu peguei minha agenda de encontros e reuniões e marquei encontros de duas horas, três vezes por semana, com “Dostoievski”. Nos sete meses que se seguiram, li todas as suas obras, algumas delas duas vezes. Das três às cinco na terça, quinta e sexta-feira, eu me encontrava com “Dostoievski” na minha sala, onde conversávamos livremente a respeito de Crime e Castigo, Cartas do Subterrâneo, O Idiota, O Adolescente, Os Possessos, Os Irmãos Karamazov. Eu passava aquelas tardes com um homem em cuja vida Deus e a paixão eram partes integrais — e integradas. Durante todo o inverno, primavera e os dois primeiros meses do verão, escondi-me na minha sala lendo brochuras da Editora Penguin traduzidas por David Magarshak e Constance Garnett.
E a crise passou. Graças a Dostoievski, Deus e a paixão nunca mais correriam riscos, pelo menos vocacionalmente. As vidas cheias de paixão por Deus de Sonja, do príncipe Myshkin, de Alyosha e do monge Zósima encheram minha imaginação de imagens vivas. Eu ainda convoco “Dostoievski” para um encontro ocasional, tirando um livro da prateleira e relembrando uma antiga conversa.

Nas próximas semanas, darei mais detalhes sobre essa obra e novos trechos memoráveis.