Da sala dos editores

3.9.05

Yancey e o relacionamento autor-leitor.

A visita de Philip Yancey ao Brasil, em julho, teve diversos pontos altos. Foi uma semana agitadíssima, na qual não faltaram palestras, debates, pregações etc.
Para mim, o que mais marcou foi o lançamento do livro A dádiva da dor, no Espaço Siciliano. Tive o privilégio de ficar ao lado dele e de Janet, sua esposa,intermediando o contato de leitores que buscavam seu autógrafo. Mesmo cansados, após uma exaustiva programação (que ainda duraria mais 3 dias), eles não se furtaram a responder perguntas. Ao contrário, em muitas ocasiões, tomaram a iniciativa e estabeleceram um diálogo com seu leitor.

Muitos não deixaram de apontar aquele que consideram seu melhor livro e como sua literatura os tem ajudado. Situações difíceis e até mesmo dramáticas não faltaram. E para todos Yancey tinha uma palavra de conforto e desafio, conforme a situação exigia. Uma aula de como se deve lidar com o leitor.

Imagino que quem lá esteve saiu com uma excelente impressão e quando voltar a ler os livros do Yancey, a sensação será a de que o diálogo iniciado na livraria está tão-somente sendo retomado.

29.8.05


O Evangelho Maltrapilho é o livro que marca a estréia de Manning no Brasil

Em outubro, o leitor brasileiro poderá conhecer um dos autores mais instigantes da atualidade. Brennan Manning, veterano da Guerra da Coréia e ex-frade franciscano, formou-se em filosofia e teologia. Os retiros de espiritualidade e as palestras por ele oferecidos despertaram a atenção de pessoas como Philip Yancey, Eugene Peterson, Michael W. Smith e Max Lucado.Em sua principal obra, O evangelho maltrapilho, Manning escreve a pessoas aniquiladas, derrotadas e exauridas. Pessoas que se acham indignas de receber o amor de Deus. Quem sabe, ignoradas pela comunidade de cristãos por não se encaixarem no perfil de super-homem ou de supermulher que lhes é constantemente exigido. Pessoas cansadas da espiritualidade superficial e consumista, preocupada tão-somente com estigmas e posição social, e esquecida de que cada um de nós foi criado à imagem e semelhança de Deus, e por isso carentes do abraço carinhoso do Pai.
O evangelho maltrapilho nos convida a depositar nossa esperança na amplitude da graça, capaz de alcançar pecadores e pobres em espírito, e de resgatar nossa dignidade original.
Em breve você poderá adquirir o livro em nosso site ou na livraria de sua preferência.

28.8.05

De cada 100 manuscritos enviados à editora, apenas 1 é aceito. O que um projeto precisa abordar para ser publicado pela Editora Mundo Cristão.

Mensalmente, dezenas de manuscritos são enviados espontaneamente à editora e, em média, um deles é aceito. Esse insucesso frustra não apenas os novos autores, mas a própria editora, cujo principal desafio é editar obras originais.

Na maioria das vezes, os títulos são recusados por, no mínimo, uma das seguintes razões:


  • Tema principal muito "batido" e/ou projeto mal elaborado.
  • Deficiência textual: construção frasal e argumentativa imprecisa.
  • Temática não sustenta a tiragem mínima de 4.000 cópias.
  • Autor demonstra pouco conhecimento do tema.
  • Ausência ou deficiência de bibliografia essencial à fundamentação do argumento principal.
  • Categoria editorial (exemplo, Ficção) não prioritária para a editora.

Embora o quadro possa paracer desanimador, é possível revertê-lo. Seguem algumas sugestões:

  1. Leia, leia,leia. Leia bastante. Leia autores de diversas linhas. Leia autores que escrevem sobre o mesmo assunto que você. Não se preocupe com o perigo de "contaminar-se", ao ler obras escritas por pessoas que não professam sua fé. Dá pra imaginar um contista que não lê Machado de Assis? Um romancista que ignore José Lins do Rego? Um autor de textos motivacionais que não lê Augusto Cury ou Lia Luft? A menos que você seja um gênio da literatura, só tem a perder ao ignorar tais autores.
  2. Escreva, escreva, escreva. Por que começar o exercício da escrita justamente com um livro? Aprimore seu texto lendo e relendo seus e-mails. Crie um blog pessoal, por exemplo. Mantenha a disciplina. Escreva peridiocamente: todo dia, a cada semana ou mês. Reveja seus textos após o intervalo de uma semana ou um mês de concluídos, e tente aprimorá-los. Escrever exige inspiração e técnica. Seja o mais preciso, objetivo e claro possível. Se necessário, corte palavras, frases e até parágrafos. Aprimore seu estilo lendo autores consagrados. Observe a argumentação e a abordagem de cada um. Como transmitem a mensagem com clareza.
  3. Avalie muito bem a editora para a qual você pretende encaminhar seu texto. É como buscar emprego. Se você é engenheiro naval, por que enviar um currículo para a Ford? Tente analisar o perfil editorial e ideológico da editora. Observe se ele se identifica com o perfil de seu original. Procure convencê-la com justificativas relevantes e objetivas. Tenha em mente que, muitas vezes, a decisão do editor pode estar no dilema entre editar um autor desconhecido e um já consagrado. Portanto, se desejar ser o escolhido, precisará apresentar fortes razões para tal. O que seu projeto agrega ao catálogo da editora? Que diferencial seu projeto apresenta quando comparado aos demais? Um texto de autor nacional só é publicado se a editora entender que é tão bom ou melhor que os textos internacionais disponíveis.
  4. Antes de enviar seu projeto, peça que alguém com senso crítico o leia. Dois pontos são fundamentais neste processo: é imperativo que essa pessoa seja uma leitora experiente e que sua análise seja totalmente isenta e sincera. O que mais você precisa nesse momento é de alguém que lhe aponte os erros. Só assim poderá aprimorar o manuscrito.

Além dessas questões, há outros pontos importantes que devem ser levados em consideração:

  • No Brasil, ainda não existem escritores cristãos cuja atividade principal seja a produção de livros. Isso quer dizer que escrever é uma tarefa secundária, ou mais uma entre suas muitas atividades. O tempo reservado para tal é muitas vezes insuficiente, prejudicando, assim, o ritmo adequado de produção textual. Nesse caso, apenas os mais persistentes e exigentes consigo alcançam sucesso nessa tarefa.
  • As editoras foram estruturadas para produzir obras de autores internacionais. Equivale a dizer que boa parte do trabalho editorial já foi realizado na editora estrangeira. Trabalhar com obras originais exige, portanto, uma estrutura editorial específica, pois, independentemente da experiência do autor nacional, o texto sempre precisa de cuidados. A editora Mundo Cristão vem se estruturando com vistas a priorizar o autor nacional. Embora haja vários projetos em desenvolvimento, esse número ainda está aquém das aspirações da empresa. Entretanto ele aponta para um futuro bem promissor. Embora, no Brasil, o panorama de produção editorial cristã autóctone ainda não tenha alcançado níveis tão expressivos e promissores como se gostaria, autores e editoras não podem desanimar. Cada um precisa fazer sua parte, a fim de que o leitor brasileiro tenha a possibilidade de decidir por um bom texto original.


O caminho de Jeremias, A religião mais negra do Brasil, Uma igreja sem propósitos, Decepcionados com a Graça são alguns bons exemplos de que se está no caminho.


Quem se habilita?

Renato Fleischner