Mundo Cristão - Gerência Editorial

31.10.05

Decepcionados com a Graça - Aula Especial

29.10.05

Evangelho, raça e cultura

André Petry, na edição de Veja que chega hoje às bancas, apresenta duras críticas sobre relação dos evangélicos com a diversidade religiosa e cultural. Sua coluna já começa com um primeiro disparo:
O ruim da onda evangélica que cresce no Brasil é que, por trás dela, vem uma tonelada de preconceito religioso.
Depois continua:
Uma parte dos evangélicos, além de atiçar o demônio sobre os que professam outra fé, qualquer outra, ainda acha que os negros devem ser vítimas preferenciais do cão-tinhoso.
Após elogiar um culto Vudu do qual participou no Haiti, arremata:
É lamentável a dificuldade que Baby do Brasil e outros evangélicos (e não só
evangélicos, convenhamos) parecem ter para conviver coma diversidade religiosa e cultural.

No ano passado, publicamos A Religião Mais Negra do Brasil, escrito por Marco Davi. O livro revela que após o catolicismo, é nas denominações evangélicas e, em especial, no segmento pentecostal que os negros brasileiros mais procuram abrigar-se. Marco Davi explora a questão da intolerância das igrejas históricas e a dificuldade das lideranças pentecostais admitirem negros em posições de destaque. Vale a pena conhecer esse trabalho porque não há pouquísimas obras que exploram essa relação dos evangélicos com a negritude.

Por mais incômodo que um artigo desse possa causar, quanto mais, ao relevar seu apreço por um culto Afro, a questão da intolerância cultural e racial precisa constantemente ser debatida. O discurso permanente de Jesus ressaltando o quanto os "maltrapilhos" são preciosos para Deus e merecedores de sua Graça, deve nos ajudar a acolher aqueles que são diferentes de nós. Jesus, mais do que ninguém, sofreu censura e condenação por estar ao lado daqueles que eram diferentes da intelligentsia religiosa de seu tempo.

24.10.05

Como escrever um bom artigo

Recomendo a leitura do artigo abaixo, publicado no site do autor, Stephen Kanitz. Se quiser acessar o link, clique no título dessa nota.

Escrever um bom artigo é bem mais fácil do que a maioria das pessoas pensa. No meu caso, português foi sempre a minha pior matéria. Meu professor de português, o velho Sales, deve estar se revirando na cova.Ele que dizia que eu jamais seria lido por alguém. Portanto, se você sente que nunca poderá escrever, não desanime, eu sentia a mesma coisa na sua idade.

Escrever bem pode ser um dom para poetas e literatos, mas a maioria de nós está apta para escrever um simples artigo, um resumo, uma redação tosca das próprias idéias, sem mexer com literatura nem com grandes emoções humanas. O segredo de um bom artigo não é talento, mas dedicação, persistência e manter-se ligado a algumas regras simples. Cada colunista tem os seus padrões. Eu vou detalhar alguns dos meus e espero que sejam úteis para você também.

1. Eu sempre escrevo tendo uma nítida imagem da pessoa para quem eu estou escrevendo. Na maioria dos meus artigos para a Veja, por exemplo, eu normalmente imagino alguém com 16 anos de idade ou um pai de família. Alguns escritores e jornalistas escrevem pensando nos seus chefes, outros escrevem pensando num outro colunista que querem superar, alguns escrevem sem pensar em alguém especificamente. A maioria escreve pensando em todo mundo, querendo explicar tudo a todos ao mesmo tempo, algo na minha opinião meio impossível. Ter uma imagem do leitor ajuda a lembrar que não dá para escrever para todos no mesmo artigo. Você vai ter que escolher o seu público alvo de cada vez, e escrever quantos artigos forem necessários para convencer todos os grupos.
O mundo está emburrecendo porque a TV em massa e os grandes jornais não conseguem mais explicar quase nada, justamente porque escrevem para todo mundo ao mesmo tempo. E aí, nenhum das centenas de grupos que compõem a sociedade brasileira entende direito o que está acontecendo no país, ou o que está sendo proposto pelo articulista. Os poucos que entendem não saem plenamente ou suficientemente convencidos para mudar alguma coisa.

2. Há muitos escritores que escrevem para afagar os seus próprios egos e mostrar para o público quão inteligentes são. Se você for jovem, você é presa fácil para este estilo, porque todo jovem quer se incluir na sociedade. Mas não o faça pela erudição, que é sempre conhecimento de segunda mão. Escreva as suas experiências únicas, as suas pesquisas bem sucedidas, ou os erros que já cometeu.Querer se mostrar é sempre uma tentação, nem eu consigo resistir de vez em quando de citar um Rousseau ou Karl Marx. Mas, tendo uma nítida imagem para quem você está escrevendo, ajuda a manter o bom senso e a humildade. Querer se exibir nem fica bem. Resumindo, não caia nessa tentação, leitores odeiam ser chamados de burros. Leitores querem sair da leitura mais inteligentes do que antes, querem entender o que você quis dizer. Seu objetivo será deixar o seu leitor, no final da leitura, tão informado quanto você, pelo menos na questão apresentada.Portanto, o objetivo de um artigo é convencer alguém de uma nova idéia, não convencer alguém da sua inteligência. Isto, o leitor irá decidir por si, dependendo de quão convincente você for.

3. Reescrevo cada artigo, em média, 40 vezes. Releio 40 vezes, seria a frase mais correta porque na maioria das vezes só mudo uma ou outra palavra, troco a ordem de um parágrafo ou elimino uma frase, processo que leva praticamente um mês. Ninguém tem coragem de cortar tudo o que tem de ser cortado numa única passada. Parece tudo tão perfeito, tudo tão essencial. Por isto, os cortes são feitos aos poucos. Depois tem a leitura para cuidar das vírgulas, do estilo, da concordância, das palavras repetidas e assim por diante. Para nós, pobres mortais, não dá para fazer tudo de uma vez só, como os literatos. Melhor partir para a especialização, fazendo uma tarefa BEM FEITA por vez.

Pensando bem, meus artigos são mais esculpidos do que escritos. Quarenta vezes talvez seja desnecessário para quem for escrever numa revista menos abrangente. Vinte das minhas releituras são devido a Veja, com seu público heterogêneo onde não posso ofender ninguém. Por exemplo, escrevi um artigo "Em terra de cego quem tem um olho é rei". É uma análise sociológica do Brasil e tive de me preocupar com quem poderia se sentir ofendido com cada frase. O Presidente Lula, apesar do artigo não ter nada a ver com ele, poderia achar que é uma crítica pessoal? Ou um leitor achar que é uma indireta contra este governo? Devo então mudar o título ou quem lê o artigo inteiro percebe que o recado é totalmente outro? Este é o tipo de problema que eu tenho, e espero que um dia você tenha também.O meu primeiro rascunho é escrito quando tenho uma inspiração, que ocorre a qualquer momento lendo uma idéia num livro, uma frase boba no jornal ou uma declaração infeliz de um ministro. Às vezes, eu tenho um bom título e nada mais para começar. Inspiração significa que você tem um bom início, o meio e dois bons argumentos. O fechamento vem depois. Uma vez escrito o rascunho, ele fica de molho por algum tempo, uma semana, até um mês. O artigo tem de ficar de molho por algum tempo. Isso é muito importante. Escrever de véspera é escrever lixo na certa. Por isto, nossa imprensa vem piorando cada vez mais, e com a internet nem de véspera se escreve mais. Internet de conteúdo é uma ficção. A não ser que tenha sido escrito pelo próprio protagonista da notícia, não um intermediário.A segunda leitura só vem uma semana ou um mês depois e é sempre uma surpresa. Tem frases que nem você mais entende, tem parágrafos ridículos, mas que pelo jeito foi você mesmo que escreveu. Tem frases ditas com ódio, que soam exageradas e infantis, coisa de adolescente frustrado com o mundo. A única solução é sair apagando.O artigo vai melhorando aos poucos com cada releitura, com o acréscimo de novas idéias, ou melhores maneiras de descrever uma idéia já escrita.Estas soluções e melhorias vão aparecendo no carro, no cinema ou na casa de um amigo. Por isto, os artigos andam comigo no meu Palm Top, para estarem sempre à disposição.Normalmente, nas primeiras releituras tiro excessos de emoção. Para que taxar alguém de neoliberal, só para denegri-lo? Por que dar uma alfinetada extra? É abuso do seu poder, embora muitos colunistas fazem destas alfinetadas a sua razão de escrever.Vão existir neoliberais moderados entre os seus leitores e por que torná-los inimigos à toa? Vá com calma com suas afirmações preconceituosas, seu espaço não é uma tribuna de difamação.

4. Isto leva à regra mais importante de todas: você normalmente quer convencer alguém que tem uma convicção contrária à sua. Se você quer mudar o mundo você terá que começar convencendo os conservadores a mudar.Dezenas de jornalistas e colunistas desperdiçam as suas vidas e a de milhares de árvores, ao serem tão sectários e ideológicos que acabam sendo lidos somente pelos já convertidos. Não vão acabar nem mudando o bairro, somente semeando ódio e cizânia.Quando detecto a ideologia de um jornalista eu deixo de ler a sua coluna de imediato. Afinal, quero alguém imparcial noticiando os fatos, não o militante de um partido. Se for para ler ideologia, prefiro ir direto na fonte, seja Karl Marx ou Milton Friedman. Pelo menos, eles sabiam o que estavam escrevendo.É muito mais fácil escrever para a sua galera cativa, sabendo que você vai receber aplausos a cada "Fora Governo" e "Fora FMI". Mas resista à tentação, o mercado já está lotado deste tipo de escritor e jornalista. Economizaríamos milhares de árvores e tempo se graças a um artigo seu, o Governo ou o FMI mudassem de idéia.

5. Cada idéia tem de ser repetida duas ou mais vezes. Na primeira vez você explica de um jeito, na segunda você explica de outro. Muitas vezes, eu tento encaixar ainda uma terceira versão.Nem todo mundo entende na primeira investida, a maioria fica confusa. A segunda explicação é uma nova tentativa e serve de reforço e validação para quem já entendeu da primeira vez.Informação é redundância. Você tem que dar mais informação do que o estritamente necessário. Eu odeio aqueles mapas de sítio de amigo que se você errar uma indicação você estará perdido para sempre. Imagine uma instrução tipo: "se você passar o posto de gasolina, volte, porque você ultrapassou o nosso sítio". Ou seja, repeti acima uma idéia mais ou menos quatro vezes, e mesmo assim muita gente ainda não vai saber o que quer dizer "redundância" e muitos nunca vão seguir este conselho.Neste mesmo exemplo acima também misturei teoria e dois exemplos práticos. Teoria é que informação para ser transmitida precisa de alguma redundância, o posto de gasolina foi um exemplo. Não sei porque tanto intelectual teórico não consegue dar a nós, pobres mortais, um único exemplo do que ele está expondo. Eu me recuso a ler intelectual que só fica na teoria, suspeito sempre que ele vive numa redoma de vidro.

6. Se você quer convencer alguém de alguma coisa, o melhor é deixá-lo chegar à conclusão sozinho, em vez de você impor a sua. Se ele chegar à mesma conclusão, você terá um aliado. Se você apresentar a sua conclusão, terá um desconfiado.Então, o segredo é colocar os dados, formular a pergunta que o leitor deve responder, dar alguns argumentos importantes, e parar por aí. Se o leitor for esperto, ele fará o passo seguinte, chegará à terrível conclusão por si só, e se sentirá um gênio.Se você fizer todo o trabalho sozinho, o gênio será você, mas você não mudará o mundo, e perderá os aliados que quer ter.Num artigo sobre erros graves de um famoso Ministro, fiquei na dúvida se deveria sugerir que ele fosse preso e nos pagar pelo prejuízo de 20 bilhões que causou, uma acusação que poderia até gerar um processo na justiça por difamação. Por isto, deixei a última frase de fora. Mostrei o artigo a um amigo economista antes de publicá-lo, e qual não foi a minha surpresa quando ele disse indignado: "um ministro desses deveria ser preso". A última frase nem foi necessária.Portanto, não menospreze o seu leitor. Você não estará escrevendo para perfeitos idiotas e seus leitores vão achar seus artigos estimulantes. Vão achar que você os fez pensar.

7. O sétimo truque não é meu, aprendi num curso de redação. O professor exigia que escrevêssemos um texto de quatro páginas. Feita a tarefa, pedia que tudo fosse reescrito em duas páginas sem perder conteúdo. Parecia impossível, mas normalmente conseguíamos. Têm frases mais curtas, têm formas mais econômicas, tem muita lingüiça para retirar.Em dois meses aprendemos a ser mais concisos, diretos, e achar soluções mais curtas. Depois, éramos obrigados a reescrever tudo aquilo novamente em uma única página, agora sim perdendo parte do conteúdo. Protesto geral, toda frase era preciosa, não dava para tirar absolutamente nada. Mas isto nos obrigava a determinar o que de fato era essencial ao argumento, e o que não era.Graças a esse treino, a maioria das pessoas me acha extremamente inteligente, o que lamentavelmente não sou, fui um aluno médio a vida inteira. O que o pessoal se impressiona é com a quantidade de informação relevante que consigo colocar numa única página de artigo, e isto minha gente não é inteligência, é treino. Portanto, mãos à obra. Boa sorte e mudem o mundo com suas pesquisas e observações fundamentadas, não com seus preconceitos.
Stephen Kanitz

23.10.05

Não

Com a vitória acachapante dos que são favoráveis à comercialização de armas, receio que um eventual referendo sobre a pena de morte poderia receber aprovação semelhante, instalando, em definitivo, a barbárie em nosso país.

Aliás, parece que os institutos de pesquisa precisam se explicar, depois de uma diferença tão folgada como a obtida pela turma do "não".

21.10.05

Panorama Editorial


A sugestão de pauta do Guther (editor da revista Seu Mundo) para a Panorama Editorial (revista editada pela CBL - Câmara Brasileira do Livro), gerou uma importante matéria de capa sobre o mercado de livros religiosos no Brasil , com destaque para a editora Mundo Cristão.
Em nome da EMC, Mark apontou a importância da qualidade editorial e da capacitação de seus colaboradores como decisivos para o destaque que a editora vem alcançando dentro e fora do país.

Judith Ramos (Vida Nova) e Sérgio Pavarini (Vida) contribuíram com informações importantes sobre o crescimento do mercado experimentado nos últimos anos. Além do evangélico, os mercados católico e espírita também mereceram destaque.

20.10.05

O melhor da espiritualidade na FTSA

Ontem, 19/10, estive na Facultade Teológica Sul Americana, em Londrina, lançando o livro O melhor da Espiritualidade Brasileira. O evento fez parte da programação da IV Semana de Estudos, cujo palestrante de ontem foi o Pr. Ricardo Barbosa. Barbosa falou sobre "Caminhos e Descaminhos da Espiritualidade Hoje: Propostas para uma Espiritualidade Transformadora”. Aproximadamente 250 pessoas participaram do evento que contou ainda com um saboroso coquetel.

Foram momentos agradáveis rever autores como Jorge Barro, Antonio Barro, Ednaldo Michellon (de Maringá), Ricardo Barbosa, Gabrielle Greggersen, Wander Soares e Alfredo Oliva. A FTSA possui um corpo docente de primeira grandeza, gerando um conhecimento que cada vez mais está sendo compartilhado em obras publicadas pela MC e por outras editoras. No momento, cinco de seus professores estão envolvidos em projetos editoriais conosco.

Na foto, de pé: Jorge e Antonio Barro (da esquerda para direita). Sentados: Ednaldo Michellon e Ricardo Barbosa.

18.10.05

Convite

17.10.05

Sons do Coração

Já está disponível no site da Rádio Transmundial o programa apresentado por Nelson Bomilcar, organizador do livro O melhor da espiritualidade, lançado em julho.
Sons do Coração traz boa meditação e revisita a música e a arte contemporânea cristãs de alto nível. Nelson não deixa de buscar no fundo do seu imenso báu musical canções que marcaram gerações.
Sons do Coração vai ao ar toda 3ª Feira às 12h30 com repetição:6ªf. - 04h00Sáb. - 16h30Dom. -23h30.
Uma excelente alternativa à lenga-lenga gospel que imprégna a grande maioria das rádio evangélicas.

Nova logomarca

Associação de Editores Cristãos (ASEC), organização que congrega as principais editoras evangélicas apresentou sua nova logomarca. Criada por Douglas Lucas (Designer da maioria das capas da MC), a logomarca apresenta a utilização de sinais ortográficos para formar a cruz de Cristo, o mais significativo e popular símbolo do cristianismo.
Mais uma vez, Douglas deu o seu recado com maestria.

16.10.05

Preconceito (2)

Registre-se: A propósito da nota do Ancelmo, enviei email para ele ontem dizendo que "involuntariamente, o título da nota (Ele tem lepra) reforça o preconceito milenar contra a Hanseníase".
Ele respondeu pedindo desculpas pela falha.

15.10.05

Preconceito


Leitor da coluna do Ancelmo Góis, fiquei estarrecido com o título de uma de suas notas, "Ele tem lepra", publicada hoje no O Globo, pois reforça, involuntariamente, o preconceito milenar contra a Hanseníase. Lepra não pega como bem explicam Yancey e Brand na monumental obra A dádiva da dor.

11.10.05

Descobrindo Deus

Acabei de ler a nova edição do livro Descobrindo Deus nos lugares mais inesperados. Trata-se de uma reedição do livro Finding God in Unexpected Places, do Yancey. No Brasil, o livro foi publicado pela United Press sob o título Encontrando Deus nos lugares mais inesperados.

Foi o próprio Yancey que nos recomendou o livro. Ele retirou 9 capítulos e adicionou 14, tornando-o um nova obra. O livro segue o estilo provocativo, lúcido e desafiador de sempre. Dessa vez, Deus é percebido nos lugares e circunstâncias mais inusitados. Destaque para o capítulo A igreja por trás das grades. Absolutamente imperdível. Uma lição de vida vindo dos "maltrapilhos".

Descobrindo Deus será lançado em novembro. Terá 288 páginas, no formato maior (16X23Cm). Preço: R$39,90. Nos próximos dias estará em pré-venda no site.

P.S: Talvez você esteja perguntando porque "descobrindo", se antes era "encontrando". Achamos que descobrindo tem mais a ver. Só isso.

6.10.05

Seu Mundo


Já está disponível no site da editora a 3ª edição da revista Seu Mundo. Nela você encontra matérias, entrevistas, artigos e notícias sobre os novos projetos da editora.

Seu Mundo apresenta artigos do Eduardo Rosa (Badu), Marcos Stefano, John Piper, Selmi Sussy e uma entrevista imperdível com Brenan Manning. Guther Faggion, editor da revista, não tem poupado esforços para fazer deste veículo um meio diferenciado e empolgante de comunicar o que faz a Mundo Cristão.


Sucesso e significância

Estamos em fase final de fechamento do livro A arte de virar o jogo no segundo tempo da vida, do Bob Buford. A obra é indicada para pessoas na faixa dos 35-45 anos que durante a primeira metade da vida se esforçaram e alcançaram sucesso profissional, e que continuam numa rotina desgastante. Muitos, nessa condição, se perguntam se é somente isso que querem para a sua segunda metade de sua vida.

Bob Buford escreveu esse livro para aqueles buscam significância. Profissional bem sucedido e famoso, compartilha sua experiência de uma grande guinada em sua trajetória, sem desprezar sua carreira.

"Para mim, a transição para o entardecer da vida foi um momento para reordenar o meu tempo e o meu tesouro, reconfigurando os meus valores e a minha visão do que a vida poderia ser. Representou mais do que uma renovação: foi um novo começo. Foi mais que cair na real, foi um olhar renovado e prazeroso para dentro da câmara mais sagrada do meu coração, que me concedeu, finalmente, uma oportunidade para responder
aos desejos mais profundos da alma. E foi também, afinal, tempo de plantar e tempo de arrancar
o que se plantou; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora. Foi o período mais importante da minha vida".

A edição brasileira apresenta o relato do Renan Santos. Alto executivo de uma montadora internacional, Renan foi muito influenciado pela experiência de Buford e também deu uma guinada impressionante em sua vida. "Bob Buford quebrou o paradigma que existia dentro de mim de que numa igreja só havia espaço para teólogos ou seminaristas. Ele me mostrou que, mesmo sem ter cursado um Seminário ou uma Faculdade de Teologia, eu tinha adquirido experiência e conhecimento nas áreas de administração e planejamento estratégico. Deus poderia usar meus dons, talentos e aquilo que eu gostava muito de fazer para realizar algo de significado ainda maior pelo resto da minha vida. Senti um toque divino mostrando-me que aquele sonho de servir numa Igreja local poderia se concretizar de forma ainda mais maravilhosa". Renan é atualmente gestor da Igreja Batista do Morumbi.

O livro conta com um prefácio especialíssimo de Peter Drucker, o maior especialista em gestão do SEC XX. Você poderá reservar o livro, que sai em novembro, nos próximo dias no site da Mundo Cristão.

2.10.05

O Perigo do Populismo Evangélico

Recomendo a leitura do artigo do Pastor e autor da MC, Eduardo Rosa Pedreira, publicado em 01/10, em O Globo.

”O populismo enquanto fenômeno político e o jeito populista de governar já são velhos conhecidos de parte da sociedade brasileira, pois desde a era Vargas vem marcando presença significativa na história do nosso país. O que é relativamente novo neste cenário é um outro fenômeno que aqui chamaremos de populismo evangélico. Na essência, os dois são a mesma coisa, a diferença esta na aparência. Isto porque na versão evangélica este populismo aparece em uma embalagem própria para conquistar o público a que se destina.

São essencialmente semelhantes por ambos se sustentarem e perpetuarem-se na figura do político carismático que sabe muito bem usar o palanque nos comícios, as câmeras na TV e as ondas no rádio, meio de comunicação de massa ainda muito forte entre as classes mais suscetíveis a este tipo de apelo. Uma vez eleito, o político populista, evangélico ou não, vai ter na sua prática de governo um comportamento idêntico em um ponto central: o uso da máquina do Estado para promover ações de curto prazo visando a resolver necessidades imediatas dos menos favorecidos, isto sem criar políticas públicas capazes de, a médio e longo prazo, influenciar na transformação das estruturas socioeconômicas geradoras da nossa desigualdade. Obviamente, os maiores e reais beneficiários destas ações não são sequer aqueles para quem elas teoricamente se destinam, mas sim quem as promove quando delas auferem significativo lucro eleitoral.

Este populismo assume uma roupagem evangélica quando a mesma habilidade verbal do palanque é usada no púlpito a serviço de uma idéia, que, por assim dizer, é a chave mestra capaz de abrir as comportas do voto evangélico. Refiro-me especificamente ao uso que se faz do corporativismo de classe celebrizado na frase “irmão vota em irmão”. Com isto busca-se convencer o eleitorado a escolher um governante tão-somente pelo fato de ser evangélico. Ora o discurso populista de caráter puramente assistencialista, que já em si mesmo é extremamente sedutor, quando acrescido desta dimensão espiritual dá a este populismo evangélico uma combinação com muito poder de voto na disputa eleitoral. Esta é a razão pela qual vai se vendendo sistematicamente a ilusão de que, por ser o governante um evangélico, Deus naturalmente abençoará o seu governo, transformando tudo pelo poder das orações e a liderança do seu eleito.

Esta falácia pode ser facilmente desmontada ao lembrarmos que quando escolhemos um governante os critérios desta escolha são mais amplos do que aqueles usados para escolher um líder religioso de uma igreja. Estamos elegendo alguém convocado pela sociedade para dirigir um povo marcado pela pluralidade, inclusive e principalmente de crenças. Não se governa uma cidade, estado ou país simplesmente apresentando como única credencial sua fé e denominação religiosa. Existem outras qualidades que um postulante ao governo de qualquer instância do nosso país deve apresentar, qualidades estas que os políticos representantes deste populismo evangélico fazem questão de não trazer a cena. É exatamente nesta manobra onde se verifica a clara instrumentalização da fé com fins puramente eleitorais, quebrando despudoradamente um mandamento bíblico dos mais sagrados, o de não usar o nome de Deus em vão! Importa ainda ressaltar que tais políticos não teriam sucesso não fosse a cooperação dos pastores orientando os seus rebanhos a votarem cegamente no candidato “ungido pelo Senhor”. Reedita-se então a histórica relação entre o rei cujo poder político era sustentado pelo poder espiritual do sacerdote!

Infelizmente a Igreja Evangélica como hoje se configura é um terreno fértil para a proliferação deste populismo. Isto, por ser em sua maioria composta por denominações cuja presença maciça se faz sentir nas franjas sociais do nosso país, onde existe uma população marcada pela exclusão social, presa fácil deste esquema político-religioso. Todavia, há uma minoria em meio a esta grande massa disposta a marcar sua posição contrária a esta onda populista, pois enxerga nela graves perigos para a Igreja e para o país!”

EDUARDO ROSA PEDREIRA é pastor da Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca e professor da Fundação Getúlio Vargas. E-mail: prof.edubadufgv@terra.com.br