24.2.06

Entrevista para o Instituto Jetro

A newsletter quinzenal do Instituto Jetro apresenta entrevista comigo sobre livros de gestão:

O que levou a MC a publicar livros na área de gestão? Qual foi o primeiro título e quando?
A percepção de que havia uma necessidade de obras que ajudassem o cristão a lidar com as pressões do mundo corporativo. O primeiro livro dessa categoria foi o Métodos de Administração de Jesus, publicado em 1996.

Há um crescimento consiste na demanda por este tipo de literatura? Seria uma tendência?
Em 2003, as vendas de livros de gestão representavam 7% do total. Em 2005, chegaram a 11%. O mercado editorial percebe um crescimento na demanda de livros de gestão de todos os tipos e estamos nos valendo dessa tendência, inclusive abrindo importante espaço em pontos de vendas não religiosos. Grandes empresas como Banco do Brasil, Maxion e Nestlé já adotaram livros da MC para parte de seus colaboradores.

Você acredita que as igrejas estão despertando e reconhecendo as boas práticas de gestão?
Existem movimentos nesse sentido, dentro os quais o Instituto Jetro é um excelente referencial. De maneira geral, nossa visão sobre a questão está espelhada em nossa política editorial: é preciso aperfeiçoar a gestão pois Deus merece o nosso melhor. Entretanto, achamos perigoso pensar que somente a boa gestão fará uma igreja funcionar direito. Ou seja, devemos estar em busca da eficácia com eficiência. A eficiência, por sí só, é inútil.

Como um livro pode ser utilizado como uma ferramenta para a boa gestão?
O livro tem a capacidade de inspirar a liderança a buscar a quebra de paradigmas e experimentar novas soluções adequadas à sua realidade. Através da literatura, estudos de casos são apresentados para a reflexão do modelo de gestão adotado.

O que impede as igrejas e organizações cristãs de investirem neste tipo de literatura?
Creio que as igrejas e organizações começam a se despertar para a importância da gestão, pois a abundância de fracassos e crises organizacionais tem revelado que não basta apenas boa vontade para administrar. A capacitação da liderança é condição para sermos melhores mordomos das coisas de Deus.

Alguns títulos publicados pela MC não mencionam a Bíblia. Você vê isto como um problema?
Não há problema algum, da mesma maneira que há livros que mencionam Deus o tempo todo e são um lixo. A questão é que um livro de gestão não tem a pretensão de ser evangelístico. Ele certamente apresenta princípos cristãos de gestão que , se adotados, podem trazer produtividade com humanidade no ambiente corporativo. Gosto quando o pastor Ed René Kivitz, autor de Vivendo com propósitos (MC), diz que a melhor maneira de evangelizar no ambiente de trabalho é ser profissional.

Quais os critérios editoriais da MC ao selecionar um título nessa área?
Qualidade e identificação com a política editorial da editora; viabilidade comercial e retorno sobre investimento.

Como está o equilíbrio entre autores nacionais e internacionais nessa área? Qual o motivo para a publicação de um número tão baixo de autores nacionais nesta área?
Começam a despontar autores nacionais. A dificuldade para os novos autores é a mesma encontrada em outras categorias editoriais. O mercado é incipiente e as pessoas não conseguem viver apenas de escrever. Esse ano, Eduardo Cupaiolo*, lançará seu primeiro livro conosco e estamos em busca de novos e talentosos autores.

*Eduardo Cupaiolo acaba de assinar contrato para a publicação de seu primeiro livro. Consultor organizacional, MBA pela Fundação Dom Cabral em gestão de pessoas e sócio da Peopleside, Eduardo defende a humanização do ambiente de trabalho sem perda de competitividade.

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