recompensa um intenso trabalho de quase dois anos. 24 autores foram convidados para escrever; desses, 18 aceitaram o desafio de refletir a espiritualidades em suas diversas facetas.
Ricardo Barbosa e Nelson Bomilcar tiveram papel preponderante ao ajudar a definir o escopo da coletânea. Silvia Justino e Omar de Sousa trabalharam nos originais. Lilian Melo esteve à frente da produção.
O resultado foi um livro que reflete o momento histórico da igreja evangélica brasileira.
Uma das tarefas mais difíceis (e não menos prazerosa) de um editor é selecionar
e recomendar o que será publicado. No processo de aquisição editorial, centenas de manuscritos nacionais e de títulos internacionais são garimpadas a fim de levar a você o que julgamos ser o melhor conteúdo disponível, no campo de conhecimento que o autor se propõe.
Trata-se de um processo que exige que o editor esteja permanentemente com as “antenas ligadas” para captar as grandes questões do indivíduo, da igreja e da sociedade. A leitura de jornais, revistas, livros, websites e muitas conversas com formadores de opinião fazem parte de um elenco de atividades fundamental para identificar o que você, leitor, deseja e precisa para seu conhecimento, edificação, entretenimento ou formação.
Assim construímos nossa plataforma editorial, sempre preocupados em divulgar uma mensagem relevante e cristocêntrica, de modo que estimule o leitor e a leitora no processo permanente de transformação de vida.
Nesse princípio de século, algumas questões nos têm chamado a atenção, tornando-se objeto de livros importantes. As repercussões dessas obras na igreja e numa camada importante da sociedade confirmam nosso “faro” editorial e nos fazem sentir aquele “frio na barriga”, pela responsabilidade que só faz aumentar.
Uma dessas questões refere-se à atual situação da Igreja. Os caminhos que a igreja evangélica vem trilhando no Brasil nos inquietam. A despeito do festejado crescimento (inflacionado pelos bons e velhos números “evangelásticos”), a fluidez
doutrinária, o desapego à ética e a inversão de valores que sempre nos foram
caros transfiguram o conceito do que é ser evangélico.
Os estragos já começam a se fazer sentir. Envolvidos num ambiente de fortíssima concorrência, cuja audiência dominical é ansiada como um índice do ibope, pastores esmeram-se como grandes apresentadores de um show recheado de efeitos especiais e boa trilha sonora. A eloqüência da palavra associada à exploração do emocional fazem do culto um circo, uma oportunidade única para a catarse. Reforçam o individualismo e jogam por terra a experiência comunitária, que outrora dava um sentido único ao ser parte de um “corpo”.
Tal estado de perplexidade em relação à igreja nos desafia a oferecer o contraponto. Em 2004, Jorge Barro, com a inestimável colaboração de Wander de Lara Proença, Luis Wesley de Souza e Alfredo dos Santos Oliva, em Uma igreja sem propósitos, desnudou as motivações que norteiam o trabalho de muitas igrejas e analisou-as à luz da mensagem contida nas cartas dirigidas às setes igrejas do Apocalipse.
Recentemente, foi a vez de Paulo Romeiro, em seu Decepcionados com a graça, esmiuçar o que está por trás do neopentecostalismo e seus efeitos danosos, observáveis na multidão de pessoas enganadas pela falsa promessa de prosperidade.
Outra linha editorial de destaque na Mundo Cristão é formada por livros que desafiam o leitor a avaliar sua religiosidade. Phillip Yancey (Alma sobrevivente), Larry Crabb (Sonhos despedaçados) e Marson Guedes (O caminho de Jeremias) discutiram a condição humana e a religiosidade fundamentada no legalismo, na culpa e na relação de barganha com Deus como marcos de uma espiritualidade doentia do cristianismo de nossos tempos. Até parece que nos esquecemos de que foi essa religiosidade que condenou Jesus à morte.
Se é verdade que existe um sentimento de inquietação com os rumos que a igreja e nossa religiosidade vêm trilhando, O melhor da espiritualidade brasileira acena com a possibilidade da esperança. A seleção de autores convidada para refletir conosco sobre os vários aspectos da espiritualidade cristã representa uma pequena fatia dos pensadores que reúnem os valores que a igreja evangélica brasileira conseguiu despertar. É gente capacitada, motivada, vocacionada é ungida para gritar em alto e bom som que podemos nos achegar a Deus e tê-lo como o centro de nossa vida.
Certa vez o salmista declarou que sua alma ansiava e suspirava por Deus e que seu prazer era estar na presença de Deus, do Deus vivo. Quando imaginamos esta coletânea de ensaios, tínhamos como alvo motivar as pessoas a voltar-se para Deus e não para a promessa de bênçãos, por mais necessária que seja. Queríamos dizer que Deus quer nos aceitar como somos e, como um pai amoroso que chama o filho sapeca para sentar-se no colo, o Senhor toma cada um de seus filhos no aconchego de seus
braços e conversa amorosamente com ele.
O melhor da espiritualidade brasileira resgata a importância crucial do Imago Dei, do sentido maior do acolhimento e da aceitação, do resgate da dignidade que o Criador concedeu em sua misericórdia à criatura. Seus autores e editores esperam contribuir para colocar ordem no caos desta irreconhecível igreja evangélica e desta desfigurada religiosidade.
A publicação de O melhor da espiritualidade brasileira marca ainda os 40 anos de fundação da Editora Mundo Cristão. É nossa maneira de agradecer aos milhares de leitores e leitoras, como você, que no Brasil e no mundo nos prestigiam e incentivam a buscar sempre a excelência em tudo o que fazemos.
Finalmente, queremos agradecer a Ricardo Barbosa e a Nelson Bomílcar. Ambos foram imprescindíveis na gestação deste livro. Nelson nos ajudou ainda a compor a seleção de ensaístas e a organizar os temas.
Agradecemos também a todos os ensaístas não apenas por dedicarem muitas horas a escrever seus ensaios, mas também pelo privilégio de tê-los em nossa casa. Esperamos poder fazer ainda mais história com vocês.