Farinha pouca, meu pirão primeiro
O ano de 2002 ficou conhecido nos EUA como o ano da delinquência financeira, tantos e volumosos foram os escândalos e fraudes cometidos por grandes corporações. Em reportagem para a revista Época, publicada no auge da crise, Cátia Luz e Vladimir Brandão assinalam:De repente, velhos princípios ensinados nas escolas e defendidos por lei parecem ter-se perdido no vento. Roubar, mentir, inventar são hoje verbos privilegiados no vocabulário de mesas de negócios que eram símbolos de eficiência e probidade. Nomes como Enron, WorldCom, Tyco, Xerox, Arthur Andersen, Global Crossing, Qwest, Merck e Bristol-Myers, com modelos de gestão que lhes rendiam citações regulares em revistas especializadas, lideram uma longa lista de manipuladores de balanços. Regras contábeis amplamente aceitas e a existência de um órgão de fiscalização dos mercados de capitais não foram suficientes para brecar o avanço da má-fé.O choque abalou a confiança dos americanos em suas empresas e fez com que John Maxwell dedicasse uma obra para abordar a questão. Em Ética é o melhor negócio, que sairá em junho pela Mundo Cristão, Maxwell aponta que historicamente a empresas que mais se preocupam com responsabilidade social são as que por mais longo prazo dão retorno aos seus acionistas (e à sociedade). É verdade que já estávamos por aqui acostumados a escândalos de toda sorte, inclusive financeiros, quando tudo se passou nos EUA. Entretanto, o chamado à uma postura ética cada vez faz sentir-se mais atual em nossa sociedade também.
Na semana passada mais de 40 fiscais da Delegacia Regional do Trabalho foram presos no Rio. “40” também é o número de pessoas indiciadas pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza em sua detalhada denúncia contra o esquema de corrupção arquitetado pelo PT. Entretanto, a falcatrua governamental se aproxima do presidente da República, sem entretanto, alterar significativamente seus índices de popularidade. Da mesma forma, a absolvição recorrente pelo plenário da Câmara de vários deputados acusados pelo Conselho de... Ética, além de provocar manifestação patética de uma deputada, faz parecer que a impunidade é regra de conduta.
A grande contribuição de Ética é o melhor negócio está na afirmação que não existe uma ética para o negócio, outra para a política e uma terceira para a família. Ou somos éticos em qualquer lugar ou não passamos de arremedos de bons-mocinhos, dispostos a tudo para nos darmos bem.
Como cristãos, você acha que estamos mais próximos ou distantes de ser uma referência ética para a sociedade brasileira?



