Recentemente, conversando com um amigo sobre o ofício de escrever, comentei: “Como é bom quando a gente abre um livro, um jornal, uma revista e depara com um texto claro, coerente, fluido”. Há textos tão deliciosamente construídos que, ao lê-los, sentimo-nos deslizar pelas palavras como que embalados pelos suaves movimentos de uma sintaxe bem construída.
Em certo ponto da conversa, no entanto, meu amigo exclama: “Escrever é muito complicado. O português é uma língua difícil!”. Folclore ou verdade? Talvez um pouquinho dos dois. Penso ser folclore à medida que nos deixamos levar pelo “senso comum” e, assim, desistimos antes mesmo de tentar. Verdade porque todo sistema lingüístico é em certo grau complexo, mas em contrapartida (há uma contrapartida, não esqueça) também coerente e, portanto, acessível a todo ser cognitivo.
Engano pensar que escrever é um ato reservado a uns poucos “iluminados”. Mais que uma arte, penso que escrever é um hábito. Aprender a escrever é como aprender a andar: a primeira tentativa pode revelar-se um tanto frustrante, mas com um pouco de insistência e treino aprendemos a dominar a técnica, e até ensaiamos umas corridinhas...
Assim, a palavra de ordem é treinar, treinar e, então, treinar. Não basta ler. É preciso escrever. Escrever muito, sempre. Leia seu texto em voz alta. Ouça cada palavra, cada frase. Leia para alguém. Se o rosto de seu ouvinte virar um ponto de interrogação, não desista jogando tudo fora. Volte ao computador, ao bloco de papel, ao caderno e reescreva uma, duas ou tantas vezes quantas forem necessárias. Garanto que logo, logo, você estará ensaiando umas corridinhas.