
Há anos ouço dizer: “livro no Brasil é caro”. Eu mesmo fazia coro com os descontentes. Mas, de dois anos para cá, penso que a realidade dos preços está bem mais favorável para o leitor.
O movimento de queda nos preços relativos dos livros é um fenômeno que já foi experimentado pelo mercado de Bíblias. A partir de 2001, novas editoras lançaram-se na edição de Bíblias favorecendo a queda dos preços. Mesmo produtos com excelente qualidade tornaram-se mais acessíveis graças aos investimentos gráficos de organizações como a Sociedade Bíblica do Brasil, Geográfica e Imprensa da Fé. Não é sem razão que o Brasil é líder mundial na produção de Bíblias com mais de 7 milhões de unidades vendidas anualmente.
É claro que Bíblias de baixíssima qualidade também inundam o mercado. Nesses casos, cabe ao leitor recusar o produto ou aproveitar o preço artificialmente baixo é comprar não uma bíblia, mas duas, três. Ou seja, aproveitar e levar o "refil".
As promoções de preços de livros podem ser conferidas em visitas aos principais websites de comércio eletrônico. E não se tratam apenas de livros de baixa vendagem. É comum perceber “best-sellers” em promoção.
Creio que esse fenômeno de queda de preços tem várias razões:
Tanto no mercado geral, quanto no evangélico, diversas editoras chegaram ao Brasil nos últimos anos, ampliando a competição. Muitas chegam e tantas outras se vão. O tempo e o mercado se encarregam de diferenciar os homens dos meninos.
A queda do dólar reflete positivamente no custo gráfico e permite uma redução nos preços dos livros. Se as tiragens fossem superiores aos dois mil exemplares médios atuais, comprar seria mais convidativo.
O fato de a economia estar caminhando num crescimento tímido, mas sem retroceder, a abundância de crédito (mesmo que caro) e a queda de preços de alimentos, dão uma sensação de certo alivio no bolso dos consumidores. A farra dos celulares revela isso.
Apesar desse cenário mais otimista, as editoras têm enfrentado um período de vendas difícil nos últimos 12 meses. O período da Copa do Mundo, em especial, afugentou clientes das livrarias.
Como alguém que atua (não isoladamente) na formação de preços da Mundo Cristão, posso compartilhar como entendemos essa questão. A MC sempre foi conhecida como uma editora de preços mais altos que se justificavam pela qualidade superior. Sem abrir mão da qualidade, decidimos há mais de um ano, sem fazer alarde, mudar esse quadro. Para tanto, uma ampla reestruturação de custos vem sendo implementada. O resultado pode ser conferido em websites e nos pontos de venda. Clássicos como
O livro dos mártires,
O peregrino e
A peregrina estão sendo comercializado por preços extremamente vantajosos.
O livro de Jesus com 448 páginas foi lançado por menos de 40 reais.
Contudo, a questão continua: Afinal, livro no Brasil é caro? Qual deve ser o critério para comparar preços? O número de páginas? a capa ? o acabamento? o design interior? a editora? Como alguém que compra livros pelo menos uma vez por mês, acho que todos esses critérios são válidos, mas não superam a diferença que o autor faz. Assim como você, tem autores que nem de graça.
Penso que o livro nunca esteve tão acessível. É necessário pesquisar preços e realmente estar disposto a valorizar o livro enquanto produto. Muitas pessoas não se incomodam em pagar 40 reais por uma pizza entregue casa, que em 15 minutos se vai, e reluta em pagar até menos por um livro que pode mudar sua vida.