“É impossível chegar lá sozinho”
Não sei quem criou esse slogan, mas o pensador foi extremamente feliz.
Essa frase me veio à mente quando escrevi neste blog o texto “Quem faz sua cabeça?”, sobre o livro A biblioteca de C. S. Lewis, que publicamos em novembro.
Todos falam da intelectualidade de Lewis, de seu gênio inspirativo etc. (e estão certíssimos!). Mas os antecedentes intelectuais de Lewis revelam esta nobre verdade: no campo da produção intelectual nenhum de nós pode chegar lá sozinho. O que somos e pensamos é resultado de tudo o que vimos, lemos e ouvimos. Incorporamos os discursos alheios, e suas falas agora são nossas. É uma espécie de usucapião do terreno epistemológico. E esse é um processo legítimo (bem diferente de plágio).
Lembro-me de como eu era arrogante a ponto de achar que ninguém poderia mexer nos meus textos. O editor para mim era uma figura do mal. Sem exageros. Há muitos anos, cheguei a ter uma briga homérica com alguém que se atreveu a interferir na minha produção literária. Por desconhecer a “nobre verdade”, eu não admitia que alguém mexesse no meu queijo.
“Meus textos.” Muito do que chamamos de “meu” é, na verdade, “nosso”. Agora sou fã do plural majestático. É bom folhear um livro e dar de cara com os “Agradecimentos”. Muitos autores agradecem pelas opiniões e sugestões que receberam. Eles sabem que seria impossível chegar lá sozinhos.
Nesse time de colaboradores, há uma figura que quero destacar: o editor. Esse profissional é um auxiliar do autor. Seu juramento é melhorar o original. Ele vai além das emendas gramaticais e estilísticas. Sua função é transformar um texto em livro. Como um tutor que se responsabiliza pelo que lhe foi confiado, ele quer que o livro se desenvolva bem em todos os aspectos. É um trabalho rigoroso. E esse profissional tem em vista uma figura importantíssima: o senhor leitor, que merece toda a consideração do mundo. Com isso, ganham o autor, a editora e o leitor.
Infelizmente, há autores que se melindram com as alterações propostas (em alguns casos podem ter razão; afinal, ninguém é perfeito). Alguns chegam ao extremo de querer impedir o andamento do processo editorial. Eles ainda não descobriram a “nobre verdade”. No processo editorial, a força não está isolamente em nenhuma das partes, mas no todo. É difícil chegar lá, mas é impossível chegar lá sozinho.
No labor editorial,
AM
Essa frase me veio à mente quando escrevi neste blog o texto “Quem faz sua cabeça?”, sobre o livro A biblioteca de C. S. Lewis, que publicamos em novembro.
Todos falam da intelectualidade de Lewis, de seu gênio inspirativo etc. (e estão certíssimos!). Mas os antecedentes intelectuais de Lewis revelam esta nobre verdade: no campo da produção intelectual nenhum de nós pode chegar lá sozinho. O que somos e pensamos é resultado de tudo o que vimos, lemos e ouvimos. Incorporamos os discursos alheios, e suas falas agora são nossas. É uma espécie de usucapião do terreno epistemológico. E esse é um processo legítimo (bem diferente de plágio).
Lembro-me de como eu era arrogante a ponto de achar que ninguém poderia mexer nos meus textos. O editor para mim era uma figura do mal. Sem exageros. Há muitos anos, cheguei a ter uma briga homérica com alguém que se atreveu a interferir na minha produção literária. Por desconhecer a “nobre verdade”, eu não admitia que alguém mexesse no meu queijo.
“Meus textos.” Muito do que chamamos de “meu” é, na verdade, “nosso”. Agora sou fã do plural majestático. É bom folhear um livro e dar de cara com os “Agradecimentos”. Muitos autores agradecem pelas opiniões e sugestões que receberam. Eles sabem que seria impossível chegar lá sozinhos.
Nesse time de colaboradores, há uma figura que quero destacar: o editor. Esse profissional é um auxiliar do autor. Seu juramento é melhorar o original. Ele vai além das emendas gramaticais e estilísticas. Sua função é transformar um texto em livro. Como um tutor que se responsabiliza pelo que lhe foi confiado, ele quer que o livro se desenvolva bem em todos os aspectos. É um trabalho rigoroso. E esse profissional tem em vista uma figura importantíssima: o senhor leitor, que merece toda a consideração do mundo. Com isso, ganham o autor, a editora e o leitor.
Infelizmente, há autores que se melindram com as alterações propostas (em alguns casos podem ter razão; afinal, ninguém é perfeito). Alguns chegam ao extremo de querer impedir o andamento do processo editorial. Eles ainda não descobriram a “nobre verdade”. No processo editorial, a força não está isolamente em nenhuma das partes, mas no todo. É difícil chegar lá, mas é impossível chegar lá sozinho.
No labor editorial,
AM

1 Comentários:
Esse ponto de vista é um excelente caso de sucesso, onde os ingredientes FÉ E HUMILDADE vão dá sabor a uma boa leitura.
Postar um comentário
<< Início