9.6.07

Um pouco de malícia pelo amor de Deus!

É dificil ser cristão sem uma boa dose de ingenuidade. Esse jeito “infantil” de lidar com as coisas de Deus é a condição assinalada por Jesus para viver pela fé.

Entretanto, muitas vezes extrapolamos, deixando-nos levar pela santa ingenuidade, confiando mais nas pessoas do que em Deus.

A história traz tristes lembranças de como a ingenuidade pode levar multidões ao engano.

Meu pai foi um judeu sobrevivente do Nazismo. Contava que muitos não acreditavam que estavam sendo levados aos campos de concentração para o extermínio. Não passava pela cabeça destes que poderia haver tamanha crueldade em tão larga escala. Ao contrário do que se pensa, muitos sabiam do que estava acontecendo.

Na semana passada li Em Busca de Sentido, de Viktor E. Frankl, que narra as percepções do autor, sob sua ótica de psicólogo, enquanto preso num campo de concentração nazista. Nessa obra, Viktor também demonstra que sabia exatamente o que poderia acontecer.

Das várias conversas com meu pai, lembro de que, à época, ele possuia uma percepção correta da conjuntura, razão pela qual conseguiu escapar da fúria nazista. Minha avó, Selma Heim Fleischner, conforme atesta a Central de Banco de Dados de Vítimas do Holocasto (The Central Database of Shoah Victims' Names), não teve a mesma sorte, tendo sido deportada para o campo de concentração de Izbica, na Polônia, e assasinada em 05/06/1942.

Mas afinal, o que tudo isso tem a ver conosco hoje? Três milhões de pessoas, em São Paulo, que sinceramente marchavam para Jesus.

A despeito de todas as evidências, impressiona a disposição cega de membros da Renascer e outros crentes em defender o casal Sônia e Estevam Hernandes, fundadores da Igreja Renascer, presos no dia 9 de janeiro, quando chegavam aos Estados Unidos, tentando entrar com US$ 56 mil não declarados, sendo US$ 9 mil dentro de uma Bíblia (?!)

Na última sexta-feira, 08, o casal confessou-se culpado por contrabando de divisas para os Estados unidos, em audiência realizada em Miami. Segundo a Agência Estado, Sônia e Estevam são defendidos por Albert Krieger, um dos mais conceituados criminalistas dos Estados Unidos. Krieger notabilizou-se ao defender o chefão da máfia John Gotti, de Nova York. Ele também representou mafiosos de outras famílias nos EUA.

Sonia e Estevam vão esperar em sua mansão, em Boca Raton, pela sentença do juiz, que será divulgada no dia 17 de agosto.

Alguma coisa está realmente muito errada com essa tal de igreja evangélica brasileira.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

concordo totalmente!

23/6/07  

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