Eleições nos EUA racham eleitores evangélicos
A cruz branca de 30 metros de altura que adorna a Immanuel Baptist Church, no centro de Wichita, Kansas, lança sua sombra sobre um bairro ocupado por casas de penhor, pequenas empresas de crédito e locadoras de vídeo pornô. Para os fiéis, isso equivale a estar na linha de frente da guerra cultural. A igreja Immanuel defende a postura tradicional dos batistas do sul há mais de meio século. Até recentemente, seu pastor, Terry Fox, era visto como o Jerry Falwell do Kansas - o rosto público dos cristãos conservadores, em um lugar em que essa posição tem importância real.Com o rosto largo sempre avermelhado e um queixo gorducho marcado por uma covinha, Fox vociferava do púlpito da Immanuel sobre os males do aborto, da teoria da evolução e da homossexualidade. Mobilizou centenas de pastores do Kansas para pressionar por uma proibição constitucional ao casamento gay, em seu Estado.
Suas prédicas nas manhãs de domingo eram transmitidas para dezenas de milhares de telespectadores por uma TV a cabo regional, e ele também apresentava um programa de rádio dominical, Answering the Call (ou "Atendendo ao Chamado", em tradução livre). Importantes organizações nacionais dos cristãos conservadores, como a Focus on the Family, elogiavam seu trabalho, e a convenção batista do sul dos Estados Unidos o apontou como presidente de seu conselho missionário norte-americano.
Fox passou anos ostentando seus vínculos com o Partido Republicano, instando outros pastores a fazerem a mesma "confissão" e os chamando de "maricas" caso não seguissem seu exemplo.
A congregação de sua igreja em sua maioria aplaudia as posturas de Fox. A Immanuel e as outras grandes igrejas de Wichita sempre foram redutos do ativismo cristão conservador surgido três décadas atrás. Nos anos 80, quando a ala teológica conservadora excluiu os moderados da convenção batista do sul, Fox e a Immanuel ocupavam posições de destaque no movimento.
Em 1991, quando a Operação Resgate organizou uma série de protestos chamada "verão da misericórdia", em Wichita, os freqüentadores da Immanuel estavam entre os primeiros a acorrer às barricadas. E Fox mais que dobrou o número de fiéis da igreja, levando o total a superar os seis mil, e foi o responsável pela construção da cruz gigantesca instalada no topo.
Por isso, quando certo domingo de agosto do ano passado, Fox, 47 anos, anunciou aos fiéis que aquela era sua última aparição no púlpito, a notícia espantou os ativistas evangélicos, de Atlanta a Grand Rapids. Fox informou à congregação que estava deixando a igreja para se concentrar integralmente nas "questões culturais".
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