
Um dois autores cristãos mais interessantes e menos conhecidos por aqui é G. K. Chesterton. Em 2008 sua obra prima,
Ortodoxia, completará 100 anos de publicação. E nós teremos o privilégio de publicar uma nova versão, em janeiro, traduzida por Almiro Pisetta, mestre e doutor em literatura pela USP.
Mas, afinal, o que faz de Chesterton e Ortodoxia tão especiais?
Ortodoxia é simplesmente a autobiografia espiritual de um dos maiores intelectuais da história. Ela é considerada a principal obra apologética do século XX.
Nascido em Londres, no ano de 1874, Chesterton era daqueles caras que não conseguia passar despercebido onde quer que estivesse. A irreverência, o bom-humor e a eloqüência, associados a dois metros e nove centímetros de altura e um peso médio 140 quilos transformavam qualquer ambiente; quer uma festa de aniversário infantil ou um acalorado debate com Bertrand Russel.
Chesterton era uma “máquina” intelectual. Escreveu mais 4000 artigos para jornais. Não bastasse a infinidade de artigos, escreveu mais de 100 livros e aproximadamente 200 contos, quase todos ditados para sua secretária. Destacam-se ainda as biografias sobre Tomás de Aquino e Francisco de Assis, além do livro O homem que foi quinta-feira (The Man Who Was Thursday) e a série de livros ficcionais que contam as peripécias protagonizadas pelo personagem Padre Brown.
Sua obra literária é tão versátil quanto marcante. Além de Ortodoxia, em que expõe os pilares da fé cristã, Chesterton escreveu Everlasting Man [O homem eterno], obra responsável por levar um jovem ateu, C. S. Lewis, ao cristianismo. Também é atribuída a Chesterton, decisiva influência na vida de líderes de movimentos de libertação como Michael Collins (Irlanda), Mahatma Gandhi (Índia) e Martin Luther King (Estados Unidos).
Chesterton era extremamente consciente de sua fé. Mesmo quando tachado de retrógrado, não se intimidava em defender o ideário cristão e opunha-se, sem pedir licença, ao encantamento que o socialismo, o relativismo, o materialismo e o ceticismo despertavam na intelligentsia européia da primeira metade do século XX.
Gilbert Keith Chesterton faleceu em 14 de junho de 1936, em sua residência, na cidade de Beaconsfield (Reino Unido), ao lado de sua esposa Frances Blogg, deixando marcas inesquecíveis em mestres da literatura como Ernest Hemingway, Graham Greene, Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez, Marshall McLuhan, Dorothy L. Sayers, Agatha Christie, Orson Welles e T. S. Eliot, que certa feita afirmou: “Chesterton merece o direito perpétuo a nossa lealdade”.
Para dar um toque especial à edição, Philip Yancey aceitou prontamente nosso convite para escrever o prefácio. Sobre Chesterton, ele afirmou: “Sempre que percebo que minha fé volta a correr o risco de tornar-se árida, vou até minha estante e apanho um livro de G. K. Chesterton. E assim começa de novo a aventura.”