Reinaldo Azevedo recomenda...
No caminho com Chesterton...Mas me permito apelar a Chesterton (1874-1936) — leiam, por amor à inteligência, Ortodoxia, que acaba de ser relançado pela editora Mundo Cristão — para considerar que “não ser parte” está longe de não ter lado. Numa passagem de espantosa simplicidade e lógica inquebrantável, o autor nos ensina que o bom “conservador” é, antes de tudo, um adepto da revolução contínua. Se você quer que o poste seja sempre branco, diz ele, será preciso pintá-lo constantemente, zelar pela sua limpeza. Ou ele será enegrecido pelo tempo, pelas intempéries. E conclui numa de suas construções muito típicas, encantadoras pela verdade simples, extraída de paradoxos: “Se você quer o velho poste branco, precisa ter um novo poste branco”.
...Em segundo lugar, nego-me a ser tiranizado, para lembrar de novo Chesterton, por aquilo que era liberdade há 20 anos. Explico: há 20 anos, o discurso da “liberdade” petista (sim, era farisaísmo) pregava a extinção de privilégios e a estrita moralidade da coisa pública. Duas décadas depois, o partido nos oprime com a máxima de que todo mundo é igualmente canalha: empenha-se menos em provar que não fez lambança do que em evidenciar que o adversário também fez. Reivindica um tribunal da igualdade instalado na lama.“Os homens sempre sofreram sob tiranias novas”, disse o pensador de há pouco. Não serei servil à tirania petista sob o pretexto de ser independente.

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