Por: Peter Drucker
Bob Buford é uma das pouquíssimas pessoas que conheço que, ainda adolescente, parou para pensar em quais eram seus pontos fortes. O que, via de regra, é feito apenas por alguns poucos artistas. Ainda mais incrível, quando Bob compreendeu que as habilidades especiais que Deus lhe dera não correspondiam ao que ele realmente queria fazer, teve a honestidade intelectual e a coragem de dizer para si mesmo: "É meu dever e minha missão pôr em prática o que sei fazer bem, ao invés de fazer aquilo que gostaria de fazer." Por ter chegado a esta conclusão, Bob se tornou um empreendedor e um homem de negócios bem-sucedido.
Contudo - e na minha experiência isto de fato não tem precedente - Bob nunca esqueceu sua visão original e nunca sacrificou seus valores pelo altar do sucesso. Ele se recusou a desistir das ambições juvenis como se fossem meros sonhos de criança. Manteve-se concentrado nas obrigações profissionais, mas nunca perdeu de vista as montanhas longínquas. Quando, depois de trinta anos de trabalho incansável, alcançou um lugar onde lhe sobrava algo de tempo e dinheiro, voltou a considerar como poderia realizar aquilo que tivera vontade de fazer trinta anos mais cedo. Desta vez, podia contar com a fortaleza, a experiência e os conhecimentos acumulados ao longo dos anos.
Nesse momento da vida, muitos se aposentam. Bob, entretanto, compreendeu que gostava de seu trabalho, amava-o até, e era muito bom no que fazia. Sabia que deveria continuar, mas também decidiu que tinha chegado a hora de construir uma carreira paralela em que as fortalezas, a experiência e o dinheiro estivessem a serviço de um compromisso profundo de fortalecer a presença de Deus na Terra.
Este livro é muito mais que uma autobiografia. Sem pregar, sem tentar ser "acadêmico", sem estatísticas ou gírias doutas, aborda o desafio social fundamental de uma sociedade desenvolvida e próspera.
Não há muito tempo, quando nasci, poucos anos antes da primeira guerra mundial, poucas pessoas chegavam a viver além do que hoje consideramos a meia-idade. Ainda em 1929, a esperança de vida média nos EUA não chegava aos cinqüenta anos, enquanto meio século mais cedo estivera em torno de 35 anos. Contudo, hoje a esperança de vida da grande maioria dos americanos, como a dos habitantes dos países desenvolvidos em geral, é duas vezes maior de que a de nossos bisavós.
Não menos importante, pela primeira vez na história, hoje um número muito grande de pessoas tem a possibilidade de se tornar um "sucesso", algo que no passado era praticamente desconhecido. Sucesso não significa necessariamente acumular uma riqueza substancial, ou atingir grande popularidade. Significa alcançar algo que em outros tempos as pessoas simplesmente não chegavam a conhecer: a realização pessoal, seja como professor universitário, como médico ou advogado, como executivo ou profissional numa organização, seja como administrador de hospital: todas funções que no começo do século passado não existiam ou eram tão raras que não chegavam a ser socialmente significativas.
Naquela época, o trabalho era um sustento, não uma escolha de vida. O trabalhador na siderúrgica, o camponês na roça, o operário na linha de montagem, o vendedor na lojinha de bairro - todas pessoas em empregos tradicionais - não teriam nenhum problema em se aposentar após trinta anos de carreira, se isso não prejudicasse seu sustento. Eles não sentiam falta do trabalho, porque nunca representara nada além de um meio de arrumar a próxima refeição ou de comprar os sapatos dos filhos.
Hoje, muitas pessoas têm a expectativa de chegar aonde Bob Buford chegou: a gostar de seu trabalho, melhorar com a idade, não querer se aposentar mesmo quando a situação financeira o permitir. Um número grande e cada vez maior de pessoas - a quem chamo de "trabalhadores do conhecimento" - não alcançaram apenas um nível econômico maior do que em qualquer outra época da história, como também conquistaram um patamar infinitamente maior em termos de realização pessoal. Apesar disso, ao chegar aos 45 anos de idade o trabalho que conhecem já não apresenta mais nenhum desafio. Eles precisam de novos estímulos.
Quando primeiro percebi isso, há uns vinte ou trinta anos, pensei que seriam multidão as pessoas que abraçariam uma segunda carreira, deixando, por exemplo de ser controller de uma grande empresa para passar a exercer uma função semelhante uma instituição sem fins lucrativos. Eu estava errado - e Bob Buford mostrou meu erro. A grande maioria dessas pessoas não quer deixar o que fazem, e em. Contudo, também não sentem a necessidade de acrescentar aquilo que Bob chama de "a outra metade de suas vidas", o que eu chamaria de "carreira paralela". Eles querem encontrar uma esfera em que possam servir com seus valores pondo em prática o que eles sabem fazer bem, utilizando as forças, o conhecimento e a experiência que já acumularam.
Trata-se de desafios novos e sem precedentes, como já disse. E este livro é o primeiro de que tenho conhecimento que os apresenta de maneira exemplar, mostrando como têm de ser abordados. É pioneirismo de primeira ordem; é análise social de primeira grandeza. E é também um livro de primeiríssima ordem. Sejam quais forem os valores e os compromissos de cada um - e não precisam ser os mesmos de Bob Buford -, este livro deve ser o catalisador para todos os beneficiários das duas grandes evoluções sociais do século passado: o aumento da duração de vida (sobretudo da vida útil) e o fato de que hoje é possível ser um "sucesso" e fazer com que a atividade que gera o nosso sustento se torne uma escolha de vida significativa.
Este é também um importante livro político. Cada vez mais compreendemos que o Estado moderno não é capaz de dar conta dos problemas comunitários e sociais. Existe uma consciência cada vez maior da necessidade de um novo setor - denominado por vezes de "sem fins lucrativos", "terceiro setor", "sociedade civil" ou (minha preferência) "setor social". Neste setor, a cidadania vivida como "voluntariado" volta a ser uma realidade, ao invés de ficar limitar-se a rituais. O livro de Bob aponta para a solução do maior desafio político da sociedade desenvolvida: a de que o sucesso na meia-idade pode ajudar a restaurar o corpo político da sociedade para que funcione, seja eficaz e reafirme os valores fundamentais da democracia e da vida comunitária.
Por último, este livro pode e deve ser lido como uma história de evolução do conhecimento para a sabedoria, de educação intelectual e espiritual. Histórias como esta são bem raras, e costumam ser muito mais cativantes, importantes e instrutivas do que relatos de aventuras mirabolantes ou de façanhas românticas. Trata-se de histórias necessárias aos que chegaram na metade do percurso da vida, os que atingiram o sucesso por suas realizações - exatamente como os mais jovens precisam de contos de ficção sobre fatos heróicos e amores românticos.
Concluindo, este livro deve ser e será lido em vários níveis. Dirá coisas diferentes a pessoas diferentes. Contudo, é um livro que terá um significado e uma mensagem para todos os que abrirem suas páginas.
50 histórias bíblicas para mães e filhas compartilharem suas experiências com Deus.
R$ 34,90 + Infantil
Uma oportunidade para mãe e filho participarem, juntos, das aventuras de personagens bíblicos e ainda aprenderem sobre o que Deus tem para suas vidas.
R$ 34,90 + Infantil