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O Deus esquecido

(1 avaliação de cliente)

Um alerta sobre a importância do Espírito Santo na vida do cristão e da Igreja.

Informação adicional

Autor

Dimensões

14×21

Encadernação

Brochura

Formato

Livro físico, E-book, Compra internacional

ISBN

978-8573256130

Número de páginas

144

Ano

2010

Descrição

A irrelevância da Igreja em muitos lugares e a apatia de seus membros pode ser creditada, em boa medida, ao desprezo pela ação do Espírito Santo. Igrejas que se renderam ao mero ativismo e à espetacularização do culto, no fundo, não passam de mero agrupamento de pessoas cuja aparência esfuziante oculta a ausência de Alguém que não está sendo convidado para a festa. Não é por falta de livros que o povo de Deus ignora o Espírito Santo. Muito já se escreveu e se falou sobre a terceira pessoa da Trindade. Contudo, a visão estereotipada e falsa do Espírito (propriedade exclusiva dos carismáticos, ou ilustre desconhecido dos conservadores) persiste entre um grande número de cristãos. Mas a questão não para por aí. O puro desinteresse pelo compromisso com Deus e o próximo tem alimentado a negligência para com o Espírito.

Francis Chan revela o exato senso de urgência da questão. Se a Igreja quiser transformar o mundo, precisa antes transformar-se numa comunidade que vive sob a força renovadora do Espírito Santo.

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1 avaliação para O Deus esquecido

  1. Carlos Gonçalves

    O Deus esquecido – revertendo nossa trágica negligência para com o Espírito Santo

    Francis Chan – Editora Mundo Cristão, 2013.

    Resenha crítica

    Carlos Gonçalves

    Introdução

    “Há um grande abismo entre o que lemos a respeito do Espírito Santo nas Escrituras e como os cristãos e as igrejas agem hoje em dia. Em muitas igrejas modernas, você ficaria espantado ao notar a aparente ausência do Espírito Santo. Ele não se manifesta de jeito nenhum. E esse é, em minha opinião, o ponto-chave do problema.”

    Chan começa fazendo o contraponto entre o que cremos e confessamos ser a obra do Espírito Santo e o que efetivamente experimentamos. Partindo de um diagnóstico baseado em sua experiência nos Estados Unidos, o autor põe o dedo na ferida do que entende ser uma massiva conformação das igrejas evangélicas em direção ao modus operandi do mundo moderno: as congregações se tornaram meros palcos para realização de atividades que tem por objetivo final entretenimento. Com isso, por evidente, atraímos as pessoas pelas razões erradas, o que frequentemente garante casa cheia, mas também evidencia que não dependemos mais da ação do Espírito Santo.

    Se Chan conhecesse a realidade brasileira diria que aqui por estas terras a “conformação” com o show business alcançou o seu mais alto (ou mais baixo) nível. É desolador e triste verificar o quanto uma grande parte dos evangélicos são tangidos de uma igreja para outra, motivados pela notoriedade de alguns cantores gospel ou, em casos mais raros, da competência retórica deste ou daquele pregador. Estamos atraindo ouvintes pelas motivações erradas, e isto nos será cobrado. Independentemente da forma, a mensagem da fé não pode ser outra senão a “loucura da pregação” referida por Paulo, e sua capacidade de atrair e convencer os ouvintes depende antes do caráter da comunidade (“nisto todos conhecerão que sois meus discípulos”) do que do investimento milionário nos jogos de luzes. Pois tendo ou não a melhor banda e iluminação, se não dependemos do Espírito para sermos “Igreja”, somos apenas um cadáver religioso atuando no ramo de diversão das massas semi-cristianizadas ou, parafraseando o Papa Francisco, apenas uma ONG religiosa ou um clube de pessoas de boas intenções.

    Capítulo 1

    “Se está encontrando dificuldade para se lembrar de alguma ocasião em que o Espírito operou em sua vida e na vida de outra pessoa conhecida, talvez isso esteja acontecendo porque você tem ignorado o Espírito. Talvez seja porque você possui um conhecimento racional a respeito do Espírito, mas não exatamente um relacionamento com ele.”

    Tudo começa no coração do indivíduo. Ao examinar mais de perto os motivos desta dissociação entre o que as Escrituras testemunham sobre o papel do Espírito Santo e a realidade de muitos cristãos, Chan constata que, individualmente, pode até se achar muito conhecimento abstrato sobre a Terceira Pessoa, porém a experiência dEle na vida dos crentes parece relegada a alguma gaveta trancada na consciência, limitada a este mero contato intelectual.

    A Bíblia descreva em abundância o papel do Espírito nas nossas vidas, deixando igualmente claro que não se pode racionalizar o espiritual, pois “…o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.” (1 Cor 2:14-15). Uma coisa é saber sobre a comunhão do Espírito, outra é experimentá-la. São mundos diferentes, no qual o segundo, de modo incomparável, transcende e engloba o primeiro.

    Convém lembrar que, atualmente, em termos de ciência e filosofia seculares, o paradigma racional-materialista está sendo questionado por várias frentes, o que vai exigir dos cristãos novas respostas diante destes novos desafios. Receio – para nossa alegria – que teremos que desenterrar em algumas igrejas o tipo de fé que tanto cura enfermos quanto nos leva sorrindo para o martírio.

    Capítulo 2

    “Você está disposto a buscar a verdade em sua jornada rumo à descoberta do Espírito Santo? Quer que ele também descubra você? Tem humildade suficiente para aceitar a possibilidade de estar errado em sua compreensão a respeito do Espírito Santo? É fácil se manter na defensiva, apressando-se em discordar e apelando para textos consagrados e argumentos aprendidos para defender aquilo em que sempre acreditou.”

    Analisando mais a fundo, o autor toca na ferida que parece ser óbvia, mas que sempre pautou a diferença entre os que “são guiados pelo Espírito” dos que não são. Fé e submissão são dois lados da mesma moeda. Lidar com um Deus abstrato ou que não interfere na “nossa” vida é cômodo. Porém, para além da barreira inicial que temos em crer na condução pelo Espírito, caso Ele realmente a faça em sua e minha vida, estamos – eu e você – prontos a nos sujeitar?

    A pergunta pode ser aparentemente chocante, mas quem conhece um pouco mais a natureza humana sabe que confessar “Cristo é meu Senhor” de todo o coração e no pleno sentido da expressão é um exercício de submissão radical. Quer dizer exatamente o que diz – eu, escravo, Ele, dono. “Minha” vida acabou. Estou crucificado. Terminou o tempo da minha vontade, agora me faz feliz agradÁ-lo. E se eu souber como fazê-lo o mais profundamente possível, tanto melhor. Não à toa Jesus colocou esta simples condição na porta de entrada do Reino, o que diz muito sobre a qualidade das multidões atraídas pelo show gospel…

    Capítulo 3

    “O que você faz e como você vive são aspectos absolutamente vitais. Sem obras e sem fruto, toda a teologia do mundo faz pouco sentido. Mas a teologia continua sendo importante — as coisas em que você acredita determinam, sem dúvida alguma, sua maneira de agir. Por isso, enquanto a boa teologia pode nos levar a viver uma vida de temor a Deus, uma teologia ruim sempre aponta para a direção errada.”

    Chan assevera que uma teologia correta sobre o Espírito Santo é, por assim dizer, como o chão sobre o qual se caminha. Neste capítulo faz uma sintética digressão sobre a Pessoa e o papel do Ajudador, sem entrar em análises teológicas mais aprofundadas. Porque para ele, como para nós, um entendimento correto conduz a uma prática correta. E aqui reitero minha crítica sobre o viés racionalista (não a crítica à razão, mas à dependência desta para explicar o mundo, a vida, Deus a fé): ao compreendermos os atributos e papéis que o Espírito tem na Igreja – e crermos de coração – não é mais possível nos escondermos nos nossos cacoetes mentais para encarar o fato de que a condução divina (“…todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”) é a regra saudável, cotidiana e desejável na vida daqueles que nasceram de novo, pois “…se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gl 5:25)

    Capítulo 4

    “…diga com sinceridade: por que você deseja a atuação do Espírito Santo em sua vida? Você quer experimentar mais do Espírito meramente por uma questão de benefício próprio? Quando a resposta é “sim”, então não somos muito diferentes do mago Simão, que ofereceu dinheiro aos apóstolos para comprar o poder do Espírito Santo.”

    Esta visão meramente instrumental do Espírito e suas manifestações é equivocada e insulta a santidade de Deus. Infelizmente é o outro extremo (nada incomum) de uma práxis errada sobre o Consolador, porém advém da mesma raiz: quem ainda não crucificou a carne também não pode dizer, “não mais vivo eu”.

    É um truísmo afirmar que “a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.” (1 Co 12:7). O contexto destas palavras do Apóstolo nos deixa bem claro que o Espírito visa, antes de tudo, edificar a comunidade, e igualmente, revelar a presença de Deus aos que não crêem, por meio de seus sinais e milagres. Não veio para nos deleitarmos em seu poder, mas para sermos meios dEle na sua obra de glorificar a Cristo.

    Capítulos 5 e 6

    “Por favor, não permita que essa realidade escape como se fosse um passatempo interessante que pode atrair sua atenção por um minuto, mas ao qual você nunca dedica tempo para conhecer melhor. Você é um templo do Espírito Santo. Não é apenas uma pessoa vivendo sua vida graças ao poder humano. O Espírito de Deus está em você; é por isso que Jesus disse que seria melhor para ele deixar a terra e que o Espírito viesse. Não despreze isso. Vá mais fundo nessa realidade e permita que exerça um forte impacto em sua vida, primeiro por dentro, depois externamente.”

    Mesclando algumas reflexões pessoais com a verdade bíblica, Chen nos convida a conhecer Aquele que comunga conosco, numa relação diuturna do consolo, do impulso pela espontaneidade do “Abba, Pai!” e de perene testemunho “em nosso espírito” de nossa posição como filhos dEle. Não é algo que se esgota apenas na compreensão racional advinda da leitura de textos bíblicos, mas é experimentada pelo ser integral: mente e coração, numa experiência interior que “excede todo o entendimento” e nos traz “tempos de refrigério”, pois “se fará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.

    Somente pela comunhão do Espírito alcançamos o “tomar a cruz” e segui-lo. E somente tomando a nossa cruz e seguindo-o recebemos o Espírito. Essa passagem da abstração teológica para a concretude existencial faz toda a diferença, e o autor reforça a realidade dialética do “andar no Espírito” e “sujeitar-se” (como escravo) ao Senhor Jesus no aqui e agora. Costumo chamar isto de “o caminho do coração”. Não há outro caminho para o Reino fora deste.

    Capítulo 7

    “…criamos um leque de igrejas que não dependem do Espírito, toda uma cultura de cristãos que não são discípulos, um novo grupo de “seguidores” que não seguem. Se tudo o que Deus precisasse fosse de figuras sem rosto para encher as igrejas, então estaríamos nos saindo muito bem. A maioria das pessoas se sentiria bem confiante. Contudo, ter um bom orador, realizar um culto breve e envolvente, dispor de um bom local para reunião e qualquer outra coisa que possamos adicionar a essa receita não são suficientes para determinar a qualidade ou o sucesso de uma igreja.”

    O autor volta à questão que deu início ao livro: temos tido sucesso em encher nossas igrejas, apelando para técnicas de venda, cantores gospel, treino em retórica e outros mimos deste mundo, mas…e o Espírito Santo?

    E, embora tenhamos recebido o penhor do Espírito quando cremos, podemos entristecê-lo e até mesmo extinguir sua atuação em nossas comunidades, no que caímos numa religião vazia de vida, embora cheia de estética e prazeirosa aos olhos das multidões. Igrejas assim não mudam vidas, não convencem ninguém a abandonar o pecado, abraçar a sua cruz e seguir a Cristo, confessando (com sua boca e com sua vida), que Ele é o Senhor. Só o Espírito pode fazer isso. E sem ele, não há novo nascimento, não há santidade, não há salvação e não há influência positiva dos crentes sobre o mundo ao redor (“sal e luz”). Em suma, nos tornamos tão barulhentos quanto os profetas de Baal, mas nenhum fogo descerá aos corações e fará os homens clamarem que “só o Senhor é Deus”.

    O autor fecha o livro com um convite coletivo ao arrependimento, uma mudança de atitude diante do mover do Espírito:

    “O que estou dizendo, na verdade, é que, em vez de pensar e dizer às pessoas que elas estão loucas quando sentem que o Espírito as está direcionando a fazer algo que não faz necessariamente sentido para nós, deveríamos nos juntar a elas nesse processo de discernimento. Em vez de desencorajá-las, precisamos orar por mais sensibilidade e ousadia. Em vez de refrear o ímpeto das pessoas que seguem a orientação do Espírito com nossas palavras e nossas ações, devemos celebrar e nos unir ao movimento do Espírito Santo nelas e por intermédio delas.”

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