Corrie ten Boom é lembrada como uma mulher de fé inabalável que arriscou a própria vida para proteger judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Sua coragem se destacou não apenas pela ação, mas pelo coração que manteve firme mesmo diante da injustiça e do sofrimento extremo.
Ao longo de sua trajetória, Ten Boom enfrentou perdas profundas, campos de concentração e dores indescritíveis, mas jamais deixou que o ódio guiasse seus passos.
Sua experiência se tornou um legado de perdão, resiliência e fé viva, inspirando milhares de pessoas ao redor do mundo.
Neste texto, vamos conhecer sua vida, os desafios que enfrentou e como transformou sofrimento em mensagens de esperança.
Leia em seguida: A graça de Deus na vida do crente: o favor que salva, sustenta e transforma
Quem foi Corrie ten Boom: conheça sua missão durante a Segunda Guerra Mundial
Cornelia “Corrie” ten Boom nasceu em Amsterdã e passou a infância em Haarlem, cidade vizinha. Era irmã de Betsie, que faleceu em 1944, e de Nollie, morta em 1953.
Antes do início da Segunda Guerra Mundial, seus pais eram responsáveis por uma joalheria localizada no bairro judeu de Amsterdã. Ligada à Igreja Reformada Holandesa, a família mantinha uma relação próxima com a comunidade judaica, participando de celebrações como o shabat e outras festividades.
Durante a ocupação nazista da Holanda, em maio de 1940, Corrie tinha 48 anos, não era casada e atuava como relojoeira no negócio da família.
Gradualmente, passou a atuar na resistência, colaborando na criação de abrigos temporários para judeus em áreas do interior do país.
O esconderijo secreto e o risco constante
O quarto da holandesa guardava um segredo que podia custar vidas. Atrás de uma parede falsa, refugiados judeus encontravam abrigo temporário enquanto os nazistas ocupavam a Holanda.
Em pouco tempo, sua casa passou a abrigar uma rede clandestina com atuação em diversas regiões do território holandês.
Além do esconderijo, Corrie organizava a alimentação dos refugiados. Cartões de vale-ração eram obtidos e distribuídos com cuidado para não chamar atenção. Essa atividade extremamente arriscada de certo levantaria suspeitas.
Um dia, um homem entrou na joalheria e disse que sua esposa fora presa por abrigar judeus e que precisava de dinheiro para subornar o policial que a prendera. Esse homem acabou por se revelar um informante do partido nazista.
Naquele dia, a casa da anfitriã foi metralhada, e a família foi rendida e aprisionada. Dez dias depois, seu pai morreu de uma enfermidade.
Corrie e Betsie foram transferidas para o campo de concentração de Ravensbrück, na Alemanha, ao qual somente a primeira sobreviveu.
Prisão e sofrimento no campo de concentração
Corrie ten Boom enfrentou momentos de dor intensa nos campos de concentração nazistas, mas manteve a fé viva até o fim.
Ela e sua irmã Betsie suportaram fome, trabalhos forçados e humilhações físicas e psicológicas. As inspeções cruéis obrigavam-nas a se expor, e o sofrimento parecia sem limites.
Mesmo nesse contexto, as irmãs encontraram força na fé. Mantinham uma Bíblia escondida e compartilhavam o Evangelho com outras prisioneiras. Entendiam que a dor não anulava o amor de Deus e que havia propósito mesmo nas circunstâncias mais duras.
Enquanto Corrie tentava proteger Betsie, sua irmã fortalecia o espírito e expressava gratidão, até pelas pulgas que causavam febre tifóide. O sofrimento era extremo, mas não silenciava a esperança que carregavam.
Betsie faleceu em Ravensbruck, pouco antes da libertação de Corrie. Além da irmã, Ten Boom também viu perecer seu pai, irmão e sobrinho, vítimas das condições desumanas do exílio.
Abaixo, você encontra um texto escrito por Corrie ten Boom, de suas Cartas da prisão, conteúdo que integra o capítulo dedicado à sua biografia em Heróis da Igreja – A Era Contemporânea.
Prezado senhor,
Hoje fiquei sabendo que, muito provavelmente, foi você quem me traiu. Passei dez meses no campo de concentração. Meu pai morreu depois de passar nove dias preso. Minha irmã morreu na prisão.
Deus transformou em bem o mal que você planejou contra mim, pois isso me levou para mais perto dele. Uma dura punição aguarda você. Tenho orado em seu favor, para que o Senhor o aceite caso venha a se arrepender. Pense que, ao pender na cruz, o Senhor Jesus também levou consigo os pecados que você cometeu. Se admitir isso e desejar tornar-se filho de Deus, você será salvo por toda a eternidade.
Eu o perdoo de tudo o que fez. Deus fará o mesmo, se assim você lhe pedir. Ele o ama. Ele o ama e enviou o próprio Filho à terra para redimir seus pecados, os quais, por natureza, seriam motivo de sofrida punição, como seria para mim. De sua parte, você deve responder a esse ato divino. Se ele lhe diz: “Venha a mim e dá-me seu coração”, sua resposta deve ser: “Sim, Senhor, eu irei, torna-me teu filho”.
Corrie ten Boom, Cartas da prisão, p. 81
Fé, perdão e resiliência após a guerra
Após a Segunda Guerra Mundial, Corrie ten Boom dedicou sua vida a compartilhar sua fé e sua história de coragem. Ela viajou pelo mundo como uma “Andarilha de Deus”, demonstrando que o amor divino supera qualquer mal.
A fé que a sustentou durante os anos de prisão e sofrimento a guiou para se tornar uma mensageira do perdão.

O momento mais desafiador aconteceu em 1947, durante um encontro em uma igreja na Alemanha.
Um dos guardas de Ravensbrück, responsável pela morte de sua irmã Betsie, aproximou-se e pediu seu perdão. O ódio tomou seu coração, e ela sentiu que não conseguiria perdoá-lo.
Nesse momento, orou: “Jesus, eu não posso perdoá-lo. Dê-me o Seu perdão“. Ao estender a mão, sentiu o amor de Deus fluir e conseguiu dizer: “Irmão, eu o perdoo de todo o meu coração“.
Essa experiência mostrou que o perdão não depende de sentimentos, mas de um ato de vontade guiado pelo Pai.
Corrie se apoiou na misericórdia ensinada em Mateus 5.7, que diz que os misericordiosos serão abençoados, e nas instruções de Lucas 6.27-28, que nos chamam a amar os inimigos e abençoar aqueles que nos perseguem.
Efésios 4.32 reforça essa escolha consciente: perdoar como Deus nos perdoou, mesmo quando o coração resiste.

Além desse episódio, Ten Boom escreveu livros e realizou inúmeras palestras, compartilhando como a fé e o perdão restauram vidas mesmo após traumas profundos.
Seu ministério inspirou milhares de pessoas a enfrentar o ódio e a injustiça com misericórdia e coragem.

Livros e referências para saber mais sobre Corrie ten Boom e outras mulheres de fé
Se você deseja conhecer a história de Corrie ten Boom e se inspirar em outras mulheres de fé, conheça obras que revelam coragem, perseverança e prática espiritual!
A seguir, listamos livros para mulheres cristãs que abordam desde a fé em ação até o papel feminino na igreja e na sociedade.
O Refúgio Secreto (The Hiding Place) – Corrie ten Boom
Este é o ponto de partida para entender Corrie ten Boom. O Refúgio Secreto narra como sua família abrigou judeus na Holanda durante a Segunda Guerra Mundial.
A história mostra a prisão da família e a experiência nos campos de concentração, trazendo lições sobre fé, perdão e coragem diante do perigo.
Reflexos da Alma – Ana Paula Valadão, Devi Titus e Helena Tannure
Reflexos da Alma ajuda mulheres a reconhecer sua identidade em Deus, afastar sentimentos de rejeição e redescobrir a alegria de viver.
Ana Paula Valadão, Devi Titus e Helena Tannure abordam temas como família, casamento, espiritualidade e comportamento, com conselhos que orientam o leitor a viver de forma plena e conectada com o sagrado.

Cristianismo no Feminino: A presença da mulher na vida da igreja – Lidice Meyer
Em Cristianismo no Feminino, Lidice Meyer resgata a participação das mulheres na história da igreja, mostrando nomes e trajetórias muitas vezes esquecidos.
O livro também destaca como a feminilidade bíblica se manifesta em atitudes de fé, coragem e serviço, ainda que em contextos patriarcais.
Também valoriza artistas como Plautilla Nelli e Artemisia Gentileschi, mostrando a relação entre fé, criação e resistência feminina.

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Conclusão
Ao proteger refugiados, enfrentar campos de concentração e perdoar aqueles que lhe fizeram mal, Corrie ten Boom mostrou que a fé verdadeira se manifesta em ações concretas e no coração que decide amar apesar da dor.
A trajetória dessa mulher cristã também nos lembra que o perdão é uma decisão consciente, sustentada por princípios espirituais.
Suas experiências em Ravensbrück e nos anos seguintes mostram que é possível transformar traumas em mensagens de esperança, inspirando pessoas a viver com propósito e compaixão.
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Além disso, acompanhamos o leitor em sua rotina espiritual, apresentando conteúdos que inspiram a prática diária da fé e fortalecem valores bíblicos.
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