Skip to content Skip to footer

Somos cristãos que realmente lutam contra a injustiça?

Uma reflexão para o dia 20 de fevereiro, Dia Mundial da Justiça Social

Recentemente, o relator das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão, Tomoya Obokota, fez um alerta sobre o severo afeito socioeconômico da pandemia do coronavírus. De acordo com ele, a atual emergência sanitária provavelmente aumentará o flagelo da escravidão moderna. Estima-se que mais de 40 milhões de pessoas sejam vítimas desse tipo de violência, a maioria delas migrantes, mulheres, crianças, afrodescendentes, povos indígenas e pessoas com deficiência.

Não faz muito tempo, ainda em meados de dezembro de 2019, a ONU também divulgou outro dado estarrecedor: estima-se que, por ano, US$ 1 trilhão sejam pagos em subornos e cerca de US$ 2.6 trilhões sejam desviados por meio da corrupção. Para se ter uma ideia do montante, o valor equivale a 5% do PIB (Produto Interno Bruto) global, ou seja, a corrupção abocanha 5% de toda a riqueza produzida no planeta, um absurdo em um mundo em que mais de 820 milhões de pessoas passam fome.

Dia Mundial da Justiça Social  

No dia 20 de março, somos convidados a combater toda forma de injustiça. Este, aliás, é um chamado cristão: denunciar o pecado e agir em prol da verdade, a não nos alegrarmos com a injustiça, mas sim com a verdade (1Co 13.6). Diante de tantas mazelas, a igreja não deve se calar nem se omitir, mas ser ativa na promoção de um mundo melhor para todos. Nós, aliás, temos sido cristãos e cristãs que realmente lutam contra a injustiça? O convite é para todos nós!

“Mas alguém pode argumentar: “Uns têm fé; outros têm obras”. Mostre-me sua fé sem obras e eu, pelas minhas obras, lhe mostrarei minha fé!

(Tg 2.18, NVT)

Um dos motivos que podem gerar apatia na igreja é o erro desconsiderar a importância das obras — sim, das obras, como reflexo da fé. Quem menospreza a importância das obras no contexto da vida cristã tende a acreditar que o engajamento social é assunto secular, não espiritual. Com isso, erra ao não perceber o conceito que está em Tiago 2.18: por meio de nossas ações, damos bom testemunho da fé que professamos.

Apatia da igreja brasileira

Ao falar sobre o assunto em entrevista à Mundo Cristão, Antônio Carlos Costa, pastor, jornalista e autor dos livros Convulsão Protestante, Teologia da Trincheira e Azorrague, aponta motivos que podem impactar negativamente a igreja brasileira, tornando-a apática em seu engajamento social. Para ele, o pano de fundo para tal situação é a teologia que está na cabeça de alguns pastores, a qual é fundamentada em aplicações indevidas da verdadeira doutrina.

“Existem pessoas que acreditam que não há muito o que fazer para melhorar a condição de nossa sociedade, uma vez que a esperança final do planeta está na parusia, ou seja, na segunda vinda de Cristo, na ação soberana de Deus criando novos céus e nova terra. Tal postura é uma contradição, pois a Bíblia diz que podemos ser sal da terra e luz do mundo. A Palavra nos dá a esperança de que, mediante a atuação da igreja, este mundo pode deixar de ser tão mau”, afirma.

Conforme o autor, outra aplicação indevida das Escrituras tem a ver com a limitação da ação da igreja apenas à evangelização, sem levar em conta o socorro ao necessitado. “Anunciar as boas novas, obviamente, é nossa missão número um, mas não podemos nos esquecer de que, ao lado da Grande Comissão, temos o grande mandamento (Mt 22.36-40). Se somos chamados a evangelizar, somos também chamados a amar. O amor nos leva a fazer mais do que pregar o Evangelho para o perdido, especialmente quando o encontramos com fome ou sofrendo violação dos Direitos Humanos”.

“O amor nos leva a fazer mais do que pregar o Evangelho para o perdido, especialmente quando o encontramos com fome ou sofrendo violação dos Direitos Humanos”.

Antônio Carlos Costa

O que você pode fazer?

Neste dia 20 de fevereiro, queremos convidá-lo a juntar-se a cristãos de todo o Brasil em um movimento de oração e conscientização em prol da justiça social. Abaixo, listamos algumas sugestões de como você pode fazê-lo:

  • Ore pela justiça no Brasil e em outros países. Para isso, faça um caderno de motivos de oração, anotando as notícias que mais lhe chamam a atenção.
  • Crie um grupo de intercessão e estudo sobre temas sociais. Busque, em parceria com seus familiares e amigos, maneiras de atuar em uma área específica.

Nesse sentido, o livro Ore pelas nações: Um guia completo de missões e intercessão pelo mundo pode ajudar você, seu pequeno grupo e sua igreja a identificar países e suas necessidades, ao mesmo tempo que os juntará a centenas de milhares de cristãos mundo afora que se conectam ao Criador clamando pela Igreja de Cristo e seus desafios nos dias atuais.

  • Use suas redes sociais para divulgar pautas que geram conscientização. Ao fazê-lo, capriche na postagem, entendendo que seu post pode ser fonte de inspiração para outras pessoas. Atenção: busque sites confiáveis, como a página oficial da ONU ou de veículos que possuem um sistema rígido de combate às fake news. Em nosso artigo 5 ideias para o cristão usar mídias digitais em tempos de quarentena, você pode encontrar algumas dicas interessantes.
  • Leia livros que despertem sua consciência política e que trabalhem temas fundamentais da esfera social. Aqui, sugerimos alguns títulos da MC:

Ame o seu próximo

Brasil polifônico

Convulsão protestante

E a verdade os libertará: Reflexões sobre religião, política e bolsonarismo

Fé cidadã

Igrejas que transformam o Brasil

O Brasil tem cura

Teologia da trincheira

Uma fé pública

  • Apoie instituições que são ativas no combate à injustiça. Aqui, por exemplo, citamos a Rio de Paz, fundada por Antônio Carlos Costa, organização internacionalmente reconhecida por combater as violações dos Direitos Humanos.

Em unidade a favor de um mundo sem injustiça!

Junte-se a nós e a tantos outros cristãos e cristãs que entenderam o chamado intrínseco à nossa fé: o de manifestar a luz de Cristo, expor as obras das trevas, defender a causa dos mais vulneráveis e lutar por uma sociedade em que haja retidão, justiça e paz.

Faça deste 20 de fevereiro — ou do dia em que ler este artigo — uma data memorável para revitalizar sua vocação de ser sal e luz, para animá-lo (a) a entrar em movimento e ser um agente de transformação onde estiver.

Você também vai gostar de ler:

Novo livro de Davi Lago analisa o amor cristão em suas dimensões ética, filosófica e espiritual

Igreja e engajamento social: Fé e política se misturam?

Política, religião e bolsonarismo em pauta

Deixe um comentário