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Fé e ciência: como trafegar pelos dois campos?


Saiba mais ao ler a segunda parte da entrevista com Gustavo Assi, secretário executivo da Associação Brasileira de Cristãos na Ciência – ABC² Uma mensagem sobre os fatos maravilhosos relembrados no dia 25 de dezembro

Para acessar a primeira parte deste conteúdo especial, clique aqui.

Mundo Cristão: Quais são os principais desafios que a ABC² vivencia ao atuar em um ambiente muitas vezes hostil à fé?

Gustavo Assi: O desafio é justamente sermos agentes do Reino de Deus, cristãos autênticos, em qualquer ambiente. De fato, esse é o desafio de todo crente em qualquer área da cultura.

O meio acadêmico e científico pode ser hostil e muito agressivo; temos de conviver com essa realidade. Não podemos deixar de falar as verdades do Evangelho e da Palavra de Deus só porque o ambiente é difícil.

Sabemos claramente que toda pessoa que se envereda na área de interação entre fé e ciência acaba sofrendo pressão por parte de acadêmicos, laboratórios e universidades.

Por que isso acontece? Porque esses ambientes são dominados por uma cosmovisão materialista. A cultura secular quer impor seu materialismo absoluto.

Dizer num ambiente científico e acadêmico que existe algo além do mundo natural, que há uma realidade sobrenatural ou espiritual, e que apenas através da Revelação de Deus conseguimos informações ou verdades do mundo espiritual é uma afirmação que ninguém engolirá.

Ora, isso não é novidade, afinal de contas, a mensagem que salva é o Evangelho e ela só salva pela iluminação do Espírito Santo, não pelo convencimento meramente intelectual, muito menos com base nas descobertas da ciência moderna.

Um erro muito comum dos cristãos no passado, e que não podemos incorrer, é tentar usar as informações científicas já descobertas como ponto para provar a nossa fé.

Por exemplo, aquelas tentativas erradas de tentar provar que Deus existe por teorias científicas. Isso é um reducionismo, é tentar fazer com que as descobertas do mundo natural — que são verdadeiras— convençam uma pessoa de que Jesus Cristo é o Senhor.

Essa não pode ser uma estratégia do cristão que gosta de ciência. Por mais que ele esteja convencido de que a ciência é verdade de Deus, não pode usar a ciência como meio de convencimento para criar fé, ou seja, para a conversão. Por qual razão? Simplesmente porque a ciência não substitui o Evangelho.

A Bíblia nos deixa claro que a única mensagem que salva é aquela que é entendida por qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer época; não depende de esforço próprio, de conhecimento prévio teórico ou filosófico; não depende de treinamento intelectual, de nível de educação nem de faixa social.

A mensagem pura do Evangelho só depende de uma coisa: do convencimento do Espírito Santo, que desvenda os nossos olhos e nos faz acreditar. Enquanto a pessoa não é convencida, o Evangelho é loucura para ela. Mas, depois que acredita, ele é salvação de Deus para sua vida.

A Bíblia não permite que nada substitua o Evangelho.

Pense só: se provar que Deus existe através da ciência exigisse algum conhecimento prévio da ciência moderna, ai daqueles que viveram no passado.

Como é que Moisés, Abraão, todos os apóstolos e todos os que viveram antes de nós teriam certeza da existência de Deus e do senhorio de Cristo? Não é através do conhecimento científico que obteremos fé.

A mensagem que salva é o Evangelho, não podemos confundir isso. Fazer apologética com base no conhecimento científico é importante para engrandecer e defender a nossa fé, mas não como estratégia de convencimento.

Por outro lado, há cristãos que vão na direção oposta e falam assim: “Já que a ciência não pode levar a Deus, então joga fora esse negócio”.

Assim, acabam taxando a ciência como coisa do diabo, que vem para nos desviar, um vento de doutrina que vem para desmontar a igreja ou testar a fé, uma provação.

Esses cristãos se esquecem de que na própria Bíblia está escrito que os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento demonstra a habilidade de suas mãos (Sl 19.1). Há um tipo de conhecimento de Deus que nós conseguimos adquirir através do mundo natural, da investigação do cosmos, por meio do exercício da ciência (Rm 1.20).

Claro que esse conhecimento não nos faz saber da boa-nova de que Cristo é o Senhor e Salvador de nossa vida, mas ele é genuíno, verdadeiro e digno de ser explorado pelo ser humano. Dessa forma, Deus fez o homem também para fazer ciência e ter prazer em realizar tais descobertas.

Por um lado, existe hostilidade na academia, porque a academia brasileira é tradicionalmente naturalista e secular, ela não vai aceitar afirmações de fé. Por outro lado, pode haver hostilidade na igreja, a igreja que não abre os olhos para as descobertas da ciência e acha que ela é coisa do diabo, que perturba, distrai e derruba. Assim, muitos fecham os olhos para a rica interação entre fé e ciência.

Daí, surge a pergunta: como é que trabalhamos nesses dois campos?

Com muito amor cristão, sobretudo para com os irmãos da fé mas também pelas pessoas ainda não salvas, porque nós cremos que as verdades científicas também são verdades de Deus para toda a humanidade.

Na igreja, o nosso movimento é fraternal e de exortação, ao falar para os irmãos: “Cuidado, pois existe informação verdadeira, válida e que glorifica a Deus, quando descoberta pelo esforço científico genuíno”.

Já no campo da academia, é uma mensagem de alerta, de atalaia, ao dizer: “Vocês estão enganados achando que somente existem verdades naturais. Existe mais.

Existe um mundo sobrenatural que a Bíblia nos revela. Esse mundo natural não pode ser testado nem verificado usando o método científico. Não adianta tentar chegar nele por esse caminho. Quando vocês descobrem uma verdade do mundo científico, ela é uma verdade do próprio Deus sobrenatural”. 

Fique por dentro!

Na terceira parte da entrevista, Gustavo Assi esclarece uma curiosidade: afinal, fé e ciência combinam? Fique de olho aqui no site da MC e não perca!

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