Skip to content Skip to footer

MC 50 anos: Entrevista especial com Peter Cunliffe, fundador da MC

Uma conversa curiosa e edificante com o missionário que fundou um dos principais selos editoriais cristãos no Brasil

“Anunciar o evangelho a toda a criatura” tem sido a missão de uma incontável multidão de cristãos que, século após século, tem atendido ao chamado de Jesus para irem e espalharem as boas-novas por todo o mundo.

Tarefa que não é fácil devido às especificidades de tão sublime chamado e dos desafios que a caminhada reserva. Muitos deles deixaram a sua pátria natal para dedicarem dons e talentos em solos estrangeiros e colocarem a vida a serviços dos povos da Terra.

Peter Cunliffe é uma dessas pessoas. Americano, nascido na Califórnia (EUA), chegou ao Brasil em 1.964, com o intuito de trabalhar no país que ainda sofria pela forte carência da pregação do evangelho. Naquele ano, apenas 10% da população era cristã evangélica.

O jovem missionário logo aprendeu a falar o idioma português e, em resposta ao direcionamento dado por Deus, decidiu estabelecer uma editora no país. Nascia, assim, a Editora Mundo Cristão. Hoje, com 83 anos e residente da cidade de Davis, na Califórnia (EUA), pai de quatro filhos, dois deles brasileiros, Peter relembra momentos marcantes de seu frutífero ministério e fatos curiosos sobre o nascimento desse que seria um dos principais selos editoriais do Brasil.

Essas informações você confere a seguir na entrevista exclusiva cedida à equipe de Comunicação da MC e que forma parte da comemoração ao cinquentenário da editora. 

Mundo Cristão: Como o senhor resume sua vida até o momento?

Peter Cunliffe: A Bíblia diz: “Os dias da nossa vida chegam a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; . . . . Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Salmos 90.10,12.). Eu creio que Deus me colocou neste mundo não somente com o intuito de existir, mas de viver minha vida com um propósito. Por isso, tem sido uma alegria viver compartilhando as boas-novas com outras pessoas. Não sou um pregador, mas posso comunicar a Palavra de Deus aos outros através de livros e Bíblias. 

MC: O que é a Mundo Cristão para o senhor?

Peter Cunliffe: É um meio utilizado para anunciar o Evangelho para os não crentes e para discipular os cristãos para que eles possam atingir a maturidade espiritual. A página impressa multiplica o ministério do indivíduo! Por essa razão, dou graças a Deus, pois a editora vende mais de dois milhões de livros e Bíblias a cada ano. 

MC: Como a Mundo Cristão surgiu?

Peter Cunliffe: Ainda em 1964, eu procurei trabalhar num país no qual a mensagem de Cristo era pregada para poucas pessoas. Na época, nem 10% dos brasileiros eram crentes. Diante disso, senti a chamada de Deus para estabelecer uma editora no Brasil onde a necessidade era tão grande. Hoje, mais de 25% dos brasileiros se renderam a Jesus. 

MC: Qual era o contexto da vida do senhor naquela época?

Peter Cunliffe: Cheguei ao Brasil com 34 anos, casado e com um filho de 4 anos. Não falava nenhuma palavra em português. Frequentei uma escola de línguas por poucos meses e, então, durante um ano, fiz pesquisas sobre a necessidade de literatura evangélica no país. Falei com pastores, gerentes de livrarias, líderes de denominações e leigos. Eu já tinha trabalhado na publicação de uma revista para uma editora evangélica em Chicago. Com essa experiência, comecei no Brasil dedicando metade do tempo publicando a Revista Mundo Cristão e metade do tempo publicando livros. Tínhamos pouco dinheiro e começamos com uma equipe de apenas três pessoas. 

MC: Como o senhor se sente ao ver a editora completando 50 anos de existência?

Peter Cunliffe: Dou graças a Deus, que permitiu que a editora crescesse. Como o apóstolo Paulo falou: “Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus” (I Cor. 3.6). 

MC: Como a Mundo Cristão passou de uma revista para uma editora de livros?

Peter Cunliffe: A Revista Mundo Cristão era financiada pela venda de anúncios na revista e pelas assinaturas pagas pelos leitores. Tivemos uma pequena ajuda financeira de uma missão nos Estados Unidos. Todavia, mesmo depois de sete anos de publicação, ainda não tínhamos chegado a um equilíbrio financeiro para a revista. Então, tivemos de desistir de publicá-la. Publicávamos livros desde o início e o que tínhamos recebido com a renda das vendas viabilizou a continuidade do trabalho. 

MC: Quantas pessoas trabalhavam no início e como foi formada a primeira equipe MC?

Peter Cunliffe: A primeira equipe consistia em três pessoas e eu. Elas foram indicadas por alguns pastores de igrejas com que falei. Havia, relativamente, poucos crentes nas igrejas e, menos ainda, pessoas capacitadas para o trabalho editorial. O caminho não foi fácil. Um dos primeiros editores era o Sergio Paulo Freddi, um editor do Jornal da Tarde. Infelizmente, logo depois que começou a nos ajudar, ele faleceu devido a uma doença. 

MC: Quais as maiores vitórias?

Peter Cunliffe: Um fato foi inesquecível. A Secretaria de Educação para o Estado de Rio de Janeiro tinha pedido um milhão de exemplares do Novo Testamento Vivo para utilizar como livro didático nas aulas de educação religiosa nas escolas públicas do estado. Mas, logo depois, o representante do Vaticano no Brasil proibiu tal uso. Parecia que não haveria solução, mas a Bíblia diz em Lucas 1.37, que com Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas. O que aconteceu foi que os alunos protestantes receberam seus exemplares do Novo Testamento Vivo. Os alunos católicos reclamavam tanto porque eles não receberam “seus exemplares”, que a administração lhes distribuiu os outros Novos Testamentos e, eu creio que, em resposta às orações de muitas pessoas, o representante do Vaticano não interveio mais. 

MC: E quais os desafios?

Peter Cunliffe: Um desafio sempre tem sido a falta de fundos suficientes para financiar a publicação de todos os livros desejados. A editora tem de pagar as despesas da tradução e impressão dos livros antes de começar a vendê-los. Isso nos limita ao número de livros que poderíamos publicar a cada ano. Outro desafio é achar pessoas doadas com a experiência e perícia necessárias para trabalhar na editora. Nós temos um alto nível de profissionalismo e essa é uma das características da Editora Mundo Cristão. Há poucas pessoas disponíveis para cumprir essa exigência e que são firmes na sua fé. 

MC: Projetos para a Mundo Cristão?

Peter Cunliffe: Um projeto de alta importância será a publicação de uma nova tradução da Bíblia. Durante os últimos 49 anos, sempre foi necessário contratar os direitos para utilizar diversas versões da Bíblia. Mas com a nova tradução, nós teremos a nossa própria versão da Bíblia, o que nos dará muitas possibilidades de como utilizar o texto bíblico. Faz quatro anos que uma equipe está preparando o texto e o lançamento da Bíblia está programado para o ano de 2016. 

MC: O senhor imaginava que a Mundo Cristão alcançaria este porte e nível de excelência que vem conquistando a cada dia?

Peter Cunliffe: A MC é a maior editora evangélica no Brasil em termos de vendas de Bíblias e livros. Mas, para mim, o mais importante é o nível de excelência dos livros e Bíblias publicados pela editora. A qualidade das publicações é mais importante do que a quantidade vendida. Isto somente pode acontecer por meio do trabalho de uma equipe tão dedicada como a nossa. 

MC: Qual a mensagem que o senhor gostaria de transmitir por meio de sua vida e ministério?

Peter Cunliffe: Eu queria viver a minha vida com Jesus não somente como meu Salvador, mas como o Senhor da minha vida. Estou com 83 anos e quero completar a carreira de forma que honre a Deus. 

Leia também: 

Editora Mundo Cristão faz culto em comemoração aos 50 anos de existência

Deixe um comentário