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Quem foi Charles H. Spurgeon?

Saiba mais sobre o Príncipe dos Pregadores ao ler um trecho de “Heróis da Igreja: A Era Moderna”

Trecho de Heróis da Igreja: A Era moderna

O Espírito Santo pode cutucar e pressionar um rebelde até ele ser acurralado por aquilo que Francis Thompson (1859–1907) chamou de Cão de Caça do Céu. Lembre-se de Saulo de Tarso, na estrada para Damasco, ou do Agostinho não convertido, abrindo o livro de Romanos enquanto ouvia uma criança por perto cantar: “Pega e lê; pega e lê” (Confissões, livro 8, cap. 12). Acrescente a esse grupo o adolescente de 16 anos Charles Haddon Spurgeon, que havia se revoltado e lutado contra Deus “o máximo que conseguira” (Fullerton, Biography, p. 17).

Certa manhã de domingo, uma tempestade de neve mudou o caminho de Spurgeon, que acabou não indo para a própria igreja. Ele vagou até uma capela metodista primitiva em Colchester. Deus estava “arando a alma [de Spurgeon], com dez cavalos negros em sua equipe — os dez mandamentos — para então arar de volta com […] o evangelho” (Fullerton, Biography, p. 29). O resultado foi um espírito incomodado, mas rebelde.

Durante o culto, o pregador explicava Isaías 45.22: “Que todo o mundo se volte para mim para ser salvo!”. Olhando para o jovem visitante, o pregador anunciou: “Jovem, você parece muito infeliz […]. Você sempre será infeliz […] na vida e miserável na morte se não obedecer a meu texto. Mas, se obedecer agora, será salvo neste momento” (p. 30-31). Atendendo ao apelo, Spurgeon nasceu de novo no Espírito. Ele foi resgatado “do poder das trevas” e levado “para o reino” de Deus (Cl 1.13). Tudo o que Spurgeon conquistaria a partir de então seria apenas um desdobramento dessa ocasião transformadora.

Percebendo que havia sido chamado para o ministério cristão, Spurgeon recebeu treinamento informal. Por dois anos, atuou como pregador em uma pequena congregação próxima de Waterbeach. Em 1854, aos 20 anos, foi convidado a se tornar ministro da Capela de New Park Street, em Londres. A congregação tinha uma célebre herança, pois fora liderada por três pastores conhecidos que, juntos, serviram por 150 dos 200 anos de história da igreja. Mas a comunidade ao redor havia se deteriorado; agora ela ficava em um distrito industrial dilapidado. O total de membros havia diminuído de 1.200 para 200.

O impacto das pregações de Spurgeon foi surpreendente. Em 1855, o prédio da igreja ficou pequeno. Foi preciso um novo templo. À medida que o tamanho da congregação crescia, alguns pastores ridicularizaram Spurgeon, dizendo que ele só estava em busca de glória. Alguns jornais o caricaturaram como um palhaço inculto e egocêntrico. Sem se deixar intimidar, Spurgeon e a igreja seguiram em frente, reunindo-se em auditórios públicos enquanto construíam novos templos.

Em 1856, Spurgeon se casou com Susannah Thompson, membro da igreja a quem ele havia batizado no ano anterior. Em 19 de outubro de 1856, enquanto se reuniam temporariamente no Music Hall, Royal Surrey Gardens, dez mil pessoas se apertavam para ouvir Spurgeon. Outras dez mil escutavam do lado de fora. Durante o culto, alguém fez um trote e gritou: “Fogo!”. Isso levou a uma debandada de pessoas em pânico que deixou 7 mortos e 28 gravemente feridos. Os jornais de Londres foram inclementes ao culpar o jovem Spurgeon, à época com 22 anos de idade (Fullerton, Biography, p. 91-93).

Em 1856, a congregação votou por construir um novo templo e mudar seu nome para Tabernáculo Metropolitano. No fim de 1891, a igreja contava com 5.311 membros. Ao longo dos anos, a congregação doou muito dinheiro para caridade, e em 1886 fundou o Orfanato Stockwell.

Na esfera teológica, Spurgeon se alinhava ao calvinismo, mas não de maneira rígida. Ele achava que nenhum sistema teológico continha o todo da fé cristã. “O todo da verdade não está […] neste sistema ou naquele, nem com este homem ou aquele outro. Que tenhamos a responsabilidade de saber o que é bíblico em todos os sistemas e aceitar” (Fullerton, Biography, p. 121).

Spurgeon, ou o Príncipe dos Pregadores (como era conhecido por muitos), era um leitor ávido, sobretudo de autores calvinistas e puritanos. São diversas as referências em seus sermões a Justino Mártir, Agostinho, John Bunyan, George Whitefield, Jonathan Edwards e outros. Por ocasião de sua morte, sua biblioteca continha doze mil volumes. Ele inaugurou uma faculdade informal de capacitação para o pastorado, instruindo indivíduos chamados ao ministério.

A publicação dos sermões de Spurgeon e outras obras garantiu sua influência duradoura. Existem 63 volumes de seus sermões. Muitas publicações adicionais, que incluem As cartas de C. H. Spurgeon, reunidas por seu filho, ajudam a completar o corpus.

Heróis da Igreja: Grandes nomes da história do cristianismo: A Era Moderna, volume 4./ Editado por Al Truesdale. 1. ed. – São Paulo: Mundo Cristão, 2020 Pgs 182 a 184.

Fique por dentro!

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Sobre o Box Heróis da Igreja

Heróis da Igreja percorre dois milênios de uma história vibrante e comovente, protagonizada por homens e mulheres que deixaram sua marca como testemunhas de Cristo em momentos dramáticos e cruciais para o povo de Deus.

A coleção apresenta, de maneira didática e motivadora, a vida daqueles que a tradição cristã decidiu nomear como heróis. Mais do que apenas um relato sobre as principais personagens da história da Igreja, você encontrará textos escritos por eles e por elas, cujo conteúdo é de alto valor devocional.

O box está dividido em cinco volumes, representando cinco eras: A Era Primitiva, A Era Medieval, A Era da Reforma, A Era Moderna e A Era Contemporânea.

Outros livros de Charles H. Spurgeon lançados pela MC:

O Tesouro de Davi – Obra clássica de Spurgeon sobre os Salmos

O homem que Deus usa

Aviva a Tua Obra – Advertência para a igreja nos tempos do fim

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